

Atualizado em 06-fev-2013
Ewerton Soares / Carlos Oliveira
Patagônia
2013

PASSO 07:
PN Tierra del Fuego
07-jan-2013, Ushuaia - ARG
Por: Ewerton Soares
Acordamos cedo, comemos pão com manteiga e pé na estrada. Seguimos em direção ao Parque Nacional Tierra del Fuego. Se chegássemos antes de das 8h não pagaríamos a entrada porque não haveria ainda ninguém na entrada para cobrar. Então saímos cedo para economizar e aproveitar mais o dia com as 20h de sol.
De Ushuaia para o Parque tem 12km até a entrada. Mais uns vários quilômetros lá dentro, pero nós fizemos o circuito pela borda da baia de Beagle. Saímos de bike, com luvas, vendo frio, e muito nublado e as vezes o sol aparecia. Quando. estávamos subindo uma ladeira de estrada de terra, faltando uns 6km para o parque, o câmbio da bike do Borracha quebra sem haver nenhum jeito de conserto. Pensamos um pouco e decidimos continuar com a bike quebrada: nas ladeiras subiríamos andando; nas decidas, pegávamos carona na gravidade e no horizontal, um empurrava o outro. E assim, de ladeira em ladeira chegamos ao Parque Nacional Tierra del Fuego.
Entramos correndo e adiantamos até não vermos mais a guarita. Missão cumprida, menos AR$ 65,00. Descemos uma ladeira muito longa, com um visual incrível no fundo, montanhas com gelo e a vegetação ao lado. No final da ladeira uma incrível enseada, Enseada Bahia. Tinha uma loja do correiro e conversamos com um senhor que parecia lembrar aqueles filmes de pirata, com voz forte, barba longa branca, marcas da idade. Compramos o carimbo do parque por AR$ 10,00 e fomos comer um biscoito (tenho que lembrar de falar depois do saldo nutritivo da viagem).
Antes de sair, ouvi o senhor falar pelo rádio do parque algumas coisa mas não entendi o que era, mas depois o Carlos disse que ele avisou a recepção do parque que estávamos lá e que provavelmente não tínhamos pagado a entrada. Mas o senhor não nos orientou nada. Seguimos a trilha pela orla da baia pela parte de cima havia um aviso que era proibido bike, mas eu fui pelo caminho de baixo e não tinha o tal aviso e o Carlos tinha me avisado da proibição, mas decidimos continuar. Decisão que nos fez gastar muita energia.
Todo os 8km de trilha eram subida e descida e a parte plana eram cheia de plantas que só cabiam uma pessoa, e não dava pra passar com as bike. Muitas subidas com escadarias, e muitas descidas irregulares, não dava pra dá uma só pedalada, mas mesmo se desse pra pedalar, não iriamos fazer para não dar margem de afirmar que estaríamos destruindo a trilha. Seguimos por horas e quando vimos uma plaquinha de 4k bateu um pouco o desespero. Já havíamos andado tanto para chegar só no meio da trilha e ainda faltariam passar mais 4km de mata e subidas e descidas e charcos.
Continuamos e pouco tempo depois dois guardas florestais nos param com indagações advertências. O senhor da baia tinha nos dedurado. A mulher nos perguntou sobre nossos tickets e que era proibida a entrada de bicicletas. Nós respondemos que não sabíamos, que não havia ninguém quando chegamos, que o senhor da baia não nos havia informado nada, que não havia placas na trilha. Informamos também que não estávamos andando sobre as bicicletas, mas empurrando-as. Ela falou para que quando saíssemos parássemos na entrada e pagássemos o bilhete. Nos concordamos e seguimos em frente.
Demou mais um bocado até a trilha terminar, mas terminou. Chegamos ao centro turístico e encontramos com uma menina que morava no hostel que estávamos hospedados. Ela nos deu informações e té de alguma coisa quente lá, estilo chimarrão e arrumou umas bandas de pão. Passado alguns minutos, voltamos para Ushuaia.
No caminho de volta arrumamos uma corda e um foi rebocando o outro nas parte horizontais e conseguimos adiantar muito nesse esquema sofrido também, pero bem menos sofrido que a inda pela trilha e as bikes, principalmente pra mim, e ainda tinha 2 máquinas e um tripé e a gota da bike. Mas é assim mesmo, já é um treino para as Torres del Paine.
O parque nacional é: Incrível! Imagine está no filme O Senhor dos Aneis, árvores e mais árvores, como uma boa floresta temperada tem, homogênias e com folhas estreitas. Úmidas e verdes, as árvores formavam grupos sólidos e muito belos, como qualquer filme desses da Idade Média. A baia com sua água gelada e verde, praia com seixos de vários tamanhos, gaviões, patos, passarinhos; encontramos até um pica-pau da cabeça vermelha, o primeiro da minha vida. O lugar tem inúmeras cores, sempre com as montanhas nevadas ao fundo. O lugar é fantástico.
Quando voltamos, o Borracha teve a ideia de passar direto na entrada para não termos que pagar o bilhete na saída. Estávamos em alta velocidade na bike e ele falou: - Só pare que eles mandarem. Então acelerei a bike e nem olhamos de lado, ninguém chamou nossa atenção e saímos do parque com mais de mil, já que era uma ladeira e fomos parar vários metros após a entrada.
Chegamos na cidade de Ushuaia, entregamos as bikes e voltamos para o hostel, compramos a passagem para Puerto Natale e fizemos compra no supermercado; voltamos pro hostel e dormimos..
PASSO 01 PREPARATIVOS
Ewerton Soares, 27 dezembro 2012
Quantos dias são necessários para organizar uma viagem de 30 dias? Depende! Em 2 dias do mês de julho fizemos um roteiro base (ROTEIRO). 1 noite pra comprar as passagens até Buenos Aires – ARG. Finalizando com mais 10 dias que precede a viagem para organizamos: os aparelhos eletrônicos, 2 mudas de roupa e material de higiene, documentos, seguro saúde, e a página da web. Então, 12 dias foi o tempo de planejamento. Provavelmente muitos problemas estão por vir.
Está ai meu singelo material pra passar 30 dias na patagônia
argentina. Certamente vai faltar muita coisa, mas não vai
o essencial. Check list 93% pronto tá bom demais, os outros 7%
vai servir como fator improviso. Do que vale uma viagem sem
improvisos? Tá ai uma coisa que sempre aparece em qualquer
viagem não CVC: Necessidade de Improvisar. Resolver problemas
da melhor forma possível com os mínimos recursos possíveis.
DIÁRIO DE BORDO
ORÇAMENTO !
$ $ $ $ $
- 10.000 Milhas: Gol, Passagem de Ida: Maceió-BRA >>> Buenos Aires-ARG
- US$ 203,00: 30 dias de Seguro Saúde
-





PASSO 02: .de Maceiò para Buenos Aires
01-jan-2013, Maceió-AL-BRA
Por: Ewerton Soares
Tudo começou bem. Malas feitas, passagens, documentos, equipamento, alimentação, tudo estava certinho. Meu irmão nos levou ao aeroporto, nossas mães nos acompanharam, fizemos as fotos de despedida. Perfeito! Eles se foram e nós ficamos, ou vice-versa. Quando o relógio marcava 23:59, o entusiasmo do ano novo perdeu de longe para o cansaço e para o sono. Zero hora: é 2013. Até quando volta a energia lá na Chã da Jaqueira dá pra escutar a rua toda vibrando. Já no aeroporto, nem o cara do autofalante manifestou seus votos de ano novo. Seguimos com nosso silêncio e bater de pernas, olhar vago e bocejos.
Agora é hora de check in. Bagagens < 23kg = limite ok. Check in tranquilo. Meu voo era de 1:40 mas 1:20 já acusava no monitor: última chamada! Corri para o portão de embarque, passei a bagagem de mão, corri para o corredor de embarque e fui o último a entrar no avião. Decolagem tranquila, sono terrível, acabei apagando que nem vi quando o lanche passou, acordei com o pescoço todo dolorido e ainda atordoado de sono e agora a fome já assolava. Pouso tranquilo.
Cheguei em Guarulhos-SP-BRA, saquei alguns reais depois de andar mais um 1km pelo aeroporto tentando encontrar um cache da CEF (mesmo perguntando pra várias pessoas), encontrei um bebedouro e enchi o bucho de água. Esperei o Borracha, mas não o encontrei. Cambiei alguns reais em dólares e segui para o embarque internacional. Desta vez cheguei cedo. Dormir mais 40 minutos nos bancos de espera. Acordei. Comi o primeiro de vários chocolates que estavam por vir neste dia e fiquei dando tchau a uma niña andava cambaleando, e ela andando retribuía meu aceno com um sorriso no rosto.
Embarque sem problemas, voo sem problema com a exceção do pouso truculento por entre os prédios e o rio do Prata a minha esquerda, ou melhor, o rio que parece um mar. Durante o voo, as nuvens embaixo de mim forçava eu pensar em algo para refletir, nunca tinha visto uma imagem daquelas. Estava parecendo as criancinhas atrás de mim que sorriam de felicidade por estarem vendo aquela cena pela primeira vez. Montes de fofinhas nuvens brancas com espaçamentos regulares, tamanhos regulares e alturas regulares. Perdido em pensamentos desconexos, talvez ainda por causa do sono, tentava me adaptar ao novo caminho e aos problemas que estavam por vir.
O desembarque em Buenos Aires – ARG não é como o do nosso Brasil. A língua espanhola está por todos os lados, e mesmo sabendo que consigo ler e entender alguns textos em espanhol, hablar é algo muito diferente. A velocidade no raciocínio precisa adaptar o que se deduz da língua portuguesa mais os detalhes da língua. Já cheguei sendo direcionado ao controle imigratório. Documento, sorriso pra foto e polegar derecho copiado na imigração. Sem problemas sou liberado e recolho minha bagagem e saio pelo Arrival Internacional. Agora eu penso: é só esperar o Carlos e prosseguir com os próximos passos da viagem.
Previsão do voo 8010 do Carlos: 14:00h. Enquanto esperava-o atravessar aquela parede fosca, comecei a conversar com a senhora argentina Francisca e fizemos uma aposta pra ver quem primeiro aparecia; se a filha dela: Verônica; ou se o meu amigo Borracha. Enquanto ninguém ganhava a aposta, conversamos sobre o Ushuaia, sobre o Brasil, sobre carnaval e tango, sobre os instrumentos que ela tocava, sobre viagens, e até sobre discos de LP. Após quase 1h de conversa, perdi a aposta e a senhora argentina muito simpática vai embora. Foi com um sorriso no rosto e fiquei esperando o companheiro de viagem aparecer. Não apareceu. O voo pousou 13:55 e já são 16h e nada do Borracha. Alguma coisa aconteceu. É o primeiro problema. Fui no guichê da TAM, mas nada me informaram sobre o embarque do Carlos, só me informaram que todos que desembarcaram pegaram suas bagagens. Então, fui em uma Lan House e chegando lá, para minha alegria, o Borracha deixou uma mensagem avisando que deu problema no voo, que estava indo para o outro aeroporto daqui de Buenos Aires, que ligasse pra ele, que eu fosse pra lá ou ele viesse pra cá. Liguei pra ele umas 10 vezes e nada. Ou chamava e ele não atendia, ou não completava, ou ia pra caixa postal, ou atendia e ficava mudo, ou tudo o que não fosse completar a ligação. Desisti de ligar e deixei uma mensagem pedindo pra ele vir aqui pro Aeroparque. Se ele leu eu ainda não sei. Só sei que estou aqui já faz 6h esperando ele. Talvez ele chegue daqui apouco para seguir para seguir para Península Valdez e continuar o cronograma.
Enquanto isso, fico aqui no aeroporto digitando estes primeiro passos do dia 1 de viagem. Pelo menos é um belo aeroporto. Exposições fotográficas, capela, belas lojas, principalmente os cafés, que eu nem me atrevo a perguntar quando custa. Visão panorama do rio do Prata, que não dá pra ver a margem oposta, de cor marrom. Uma avenida limita sua margem, onde há um calçadão com muitas pessoas caminhando, namorando e pescando.
Olho pro lado, O BORRACHA! Problema resolvido.
01-jan-2013, Buenos Aires-ARG
Por: Ewerton Soares
O Carlos me explica todos os detalhes do problema que aconteceu com ele e continuamos a execução do roteiro: Ir para o sul da Argentina margeando a costa do atlântico. Pegamos um autobus em frente ao aeroporto e seguimos para terminal rodoviário do Retiro, de onde saiam todos os ônibus interestaduais. Chegando, pedimos informação e enquanto tentamos entender a resposta, o senhor nos deu um papel com 4 números e de tudo que ele falou, só consegui decifrar que era no primeiro andar. Subimos as escadas e encontramos mais de 150 empresas, os números do bilhete não batiam com a empresa que queríamos. Após alguns minutos encontramos as empresas que faziam o itinerário, pero o preço estava muito alto, praticamente igual ao de avião e levaria mais de 60h de viagem. Consequentemente abortamos a viagem de autobus e voltamos para o aeroporto Aeroparque.
Precisávamos comer carne, ainda não tínhamos almoçado e já eram 21:00, o céu ainda estava no crepúsculo. Encontramos uma tienda que vendia muita carne e o homem era o caixa, fazia o sanduiche. Gastamos alguns pesos mas comer carne deu nova vida. Após algumas novas perguntas e tentativas de entendimento, seguimos para o ponto de autobus para pegar o número 45.
Tem um detalhe ai! Quem não habla nada de espanhol consegue não morrer de fome e consegue também deslocamento, no entanto, é difícil de se fazer a coisa com eficiência. Pra comer é fácil, comer o que você quer ou entender o que é servido é outra história. Conseguir entender onde é o ponto, como funciona o sistema de transporte, a organização mínima é muito complicado de entender, dEU entender.
Chegamos no ponto e o autobus era o 45. Então assim que aparecia um 45 corríamos e o motorista hablava alguma coisa lá que não, que negativo pro que agente perguntava, ou melhor hablava uma palavra: aeroparque¿, e o motorista explicava mas só conseguíamos entender o NO! Fizemos isso em uns 5 autobus e depois desistimos. A ideia era ficar parado esperando o povo entrar. O detalhe é que mais de 20 pessoas iam formando a fila no ponto, que só parava aquele tal autobus 45 e só notamos que era uma fila, quando veio o 7ª autobus e todos começaram a entrar organizadamente, em fila, na mais absoluta tranquilidade. E eu e o Borracha acostumado com o Chã da Jaqueira que só quem anda por lá vai entender. O que tinha esse último autobus de diferente até hoje ainda não sei.
Chegamos no Aeroparque, compramos a passagem para Puerto Gallegos por AR$ 1600,00, um voo que sairá às 23:20 do dia 3-jan-2013, ou seja, iremos ficar mais um dia em Buenos Aires. Procuramos algum lugar pra dormir, mas não foi um hotel, uma pousada ou um albergue, procuramos um espaço dentro do aeroporto para não gastarmos com hospedagem e já estava muito tarde. Então, fizemos uma limpeza básica nas mãos e no rosto; encontramos um pequeno espaço em um guichê que estava em reforma; encostamos nossas coisas no chão: saco de dormir, isolante, tiramos os sapatos, nos enrolamos com as mochilas e os pertences chaves e apagão do sistema nervoso, apagamos!.
01-jan-2013, Buenos Aires-ARG
Por: Carlos Oliveira
E isso ai galera, feliz por ter encontrado o Leandro, agora vamos consultar passagens pra Ushuaia no terminal rodoviário de Buenos Aires...
Chegamos aqui para comprar as passagens mais tivemos surpresa com os valores, achamos por bem não ir de ônibus, vamos de avião mesmo, pelo fato de chegar mais rápido a Ushuaia e gastar quase o mesmo valor, estamos com muita fome, não nos alimentamos ainda por causa da velocidade dos fatos, então antes de irmos de volta para o Aeroparque vamos comer...
Na rua encontramos uma lanchonete onde sentamos e pedimos dois “super Chorus” (pao com uma espécie de salchisa gigante e fina), gostoso! Pedimos também uma Hanburguesa, (esse parece com nosso hambúrguer, so que sem verdura, somente pao e carne de hanbruguer, gostoso também! Comemos e seguimos de volta para o aeroparque...
Já no Aeroparque sem nenhuma complicação no trajeto, fomos comprar as passagens para Ushuaia, já eram 22:00hs mais ou menos e o sol se pós as 21:00, então infelizmente so tinha passagem para Ushuaia para o dia 04 e era $ 2500,00 mais não poderíamos passar tanto tempo assim aqui em Buenos Aires, atrasaria a no viagem, então compramos passagem para uma cidade próxima próxima de Ushuaia, Porto Gallegos, a $ 1600,00...
Muito cansados nessa altura, e com frio la fora, decidimos não sair para procurar hospedagem e decidimos dormir no próprio Aeroporto, fizemos... era tarde, cerca de 23:40 do dia 01-01-2013, estava por encerrado este primeiro dia em terras estrangeiras.






PASSO 03 .¿O que fazer em Buenos Aires (BsAs)¿
02-jan-2013, Buenos Aires-ARG
Por: Ewerton Soares
Abrimos os olhos e ainda estava escuro. Claro que do lado de fora do aeroporto, podíamos ver pelos vidros o céu ficando claro e após alguns minutos os primeiros raios solares. Colocamos nossa bagagem em um guarda volumes (AR$ 18,00) e seguimos para o centro no autobus 33. Descemos no terminal Retiro novamente, só que seguirmos o caminho inverso do terminal. Com mapa da cidade em mãos, conhecíamos o que conseguíamos encontrar: Casa Rosada, Livraria Ateneu, Calçadão do Centro de BsAs, Av. Leandro, Puerto Madero, Parque Ecológico, Rio do Prata, árvore gigante, e por 10 minutos não conhecemos o Cemitério que não lembro do nome agora.
Andamos praticamente uns 30km durante todo o dia. Almoçamos um sanduiche de bife com cerveja flerte de num sei o que e não parava de espumar. Tentamos hablar com muitas personas. O peso nas costas não estava confortável. Duas Nikons e uma GoPro eram suficiente pra acabar com minha paz e exigir o máximo de organização para conseguir utiliza-las da melhor forma possível. Terminamos o dia voltando para nosso acampamento, aqui no aeroporto, deitados no chão do corredor, ao lado de uma tomada, em frente a uma loja fechada e atrás do rio do Prata.
Amanhã conheceremos o zoológico e o cemitério que fomos barrados hoje. Já ás 23h seguimos para Puerto Gallegos.
Hasta luego personas!
02-jan-2013, Buenos Aires-ARG
Por: Carlos Oliveira
São 05:30 da manha, é hora de acordar... O Leandro ainda insiste em ficar dormindo mais um pouco no saguão do Aeroporto, mais eu não consegui mais, as 06:40 saimos em busca de local para guardar os nossos volumes e então fazer um city tuor por Buenos Aires... Coseguimos guardar as bagagens, pegamos em seguida um ônibus com destino ao centro da cidade $ 3,00 (super barato), descemos de novo em frente ao terminal rodoviário e seguimos andando, entrando em monumentos, museus, praças, jardins, parques ecológicos... foi super tranquilo conhecer as ruas de Buenos Aires, interagir com os Argentinos, (conhecemos um Sr. Numa lanchonete, cara super gente fina, nos deu algumas dicas de locais para visitar), após termos caminhado muitas horas pela cidade, já era cerca de 16:00 e o Leandro queria visitar o semiterio... Meu irmão! Tava com tempo que não caminhava tanto assim, e a cara pessoa que a gente perguntava onde ficava o cemitério, diziam que tava próximo e nada da gente chegar..
Cerca de 1hora e meia depois, chegamos ao bendito cemitério... CERRADO, FECHADO!! Isso mesmo, fechado! Fechava de 17:00horas, fiquei puto, mais não demostrei muito pois se não iria gastar mais energia que não tinha, kkkk... Vamos voltar para o Aeroporto falei ao Leandro: Tinhamos que estar lá ate no máximo 19:00 para retirar nossas bagagens se não pagaríamos adicional, seguimos para pegar o ônibus...
Chegamos a tempo no Aeroporto, retiramos as bagagens e fomos procurar dentro do Aeroporto um banheiro para tomar banho, não podia! Mais tudo já estava arquitetado, iriamos montar acampamento de novo no Aeroporto, esperaríamos ate as 23:00 quando o movimento diminuísse no para poder tomar banho em um dos banheiros de deficientes (pois tinha menor fluxo), com uma cuia improvisada (garrafa peti cortada ao meio), experiência sem igual... o Leandro ficou com as nossas bagagens e eu fui la executar o ato “ilícito”!
Jamais pensei que pudesse tomar banho e molhar menos de 1,00m² do chão, mais foi... (depois explico aos íntimos como foi, rsrsrs...) votei para o local onde Leandro me aguardava, e passei a bola pra ele agora, “ou melhor a cuia peti”, falei pra ele que tinha demorado um pouco mais por que tinha o cara utilizando o vaso do banheiro ao lado, e eu não queria que me descobrissem ali...
Tudo deu certo e mais uma vez cerca de 23:55 fomos dormir desta vez, limpos, cheirosos, no saguão do Aeroporto em outro local, mais isolado que descobrimos... Tudo tranquilo, até amanha galera, fiquem atentos so 02 (dois) dias ate agora e já começou a acontecer os imprevistos que tanto nos ensinam! Buenas Noites.
PASSO 04: Mais alguns passos em Buenos Aires
...
03-jan-2013, Buenos Aires-ARG
Por: Carlos Oliveira
Bom dia, são 05:00hs e já estou acordado aqui no nosso acampamento no Aeroparque, Leandro insiste em dormir um pouco mais... 07:30 levantamos acampamento, foi uma noite muito tranquila, dormimos bem... escovamos os dentes e fomos atualizar o blog e em seguida guarda as bagagens para assim pudermos ter mais um dia de treeking urbano em Buenos Aires, desta vez saímos do Aeroporto andando e fomos para o observatório (fechado, recesso ate o dia 21), depois tomamos café na praça Italia, seguimos para o Jardim Japonês, pagamos $ 16,00 (lindo, vocês iram conferir em fotos), em seguida continuando, fomos ao Zoológico (lembrei que quando era criança tinha muita vontade de visitar um Zoológico, só agora consegui, muito prazeroso, animas que ate então só conhecia de ouvir falar, de desenhos ou filme “O Rei Leão, Era do Gelo”, emocionado ao ver um hipopótamo, deu até Zebra, deu mesmo viu! Depois conto...), seguindo com os passeios fomos ao cemitério de Recoleta, foi interessante entrar em um cemitério, mais segundo Leandro: representa a historia da cidade.
Depois de sair do cemitério fomos a um Shopping que ficava ao lado, o Leandro chamando atenção com uma bolsa do tripé da câmera “parecia um bazuca” nunca vi tanto segunda nos observando, acho que estavam pensado que a gente era terrorista... Quebraram a cara, somos ninos brasileiros, latinos-americanos. Saindo do shopping passamos em um supermercado, compramos comida e votamos de ônibus para o Aeroparque, tínhamos que retirar nossas bagagens e comer e embarcar as 23:20 com destino a Rio Gallegos, fizemos...
Após fazer o chek in as 22:30 subimos para o embarque, momento de tensão... a bazuca “tripé” do Leandro não passou no raio x do embarque, dai ele teve que voltar correndo para despachar-lo, se não tivéssemos com um tempinho de sobra a mais seria uma escolha difícil (tripé ou passagem), mais deu tudo certo, embarcamos 23:30 com destino a Rio Gallegos... amanha tem mais novidades!
03-jan-2013, Buenos Aires - ARG
Por: Ewerton Soares
Despues de uma ótima noite de sono no corredor secreto do aeroporto: acordamos; organizamos o material; atualizamos o blog/site; guardamos a bagagem no guarda volumes e seguimos andando em direção ao Cemitério da Recoleta.
No caminho até o cemitério, passamos pelo observatório, mas estava fechado todo o mês de janeiro. Continuando, encontramos uma barraca que vende sanduiches de bife, que são vários por toda a cidade. Comemos nosso desayuno umas 10h da manhã, um pão com hambúrguer com ovo mal passado com vinagrete e mostarda cinza...
... – Volto já!
... – Voltei, vi que a pista acabou aqui enquanto estava digitando o texto e quando fui olhar, era o Estreito de Magalhães (4-jan-2013).
O cenário do nosso desayuno era: uma pequena mesa com 4 cadeiras de plástico tipo pano; embaixo de uma árvore; sol forte e vento frio; arrodeados por sabiás, jandaias e outros; de um lado uma avenida movimentada, dos outros um belo bosque arborizado. Esse cenário me fez refletir um pouco enquanto comia lentamente, na tentativa de ter mais tempo para absorver um pouco daquela realidade.
No meio disso tudo pensei: ¿Como definir Buenos Aires¿ Pensei em muitas coisas nessa tentativa, no entanto, quando simplesmente pensei no significado do nome Buenos = bom e Aires = ar não restou dúvida que o nome da cidade fala muito de quem ela é. Bons Ares, Ar Bom. Seguindo a lógica do nome, ou melhor, deduzindo a lógica do nome, quem põe os olhos nessa cidade observará uma arquitetura pensada com cuidado; perceberá a imensa quantidade de área verde espalhada por onde quer que vá; nas avenidas, o trânsito flui; muitas pessoas fazendo algum tipo de esporte ao ar livre; piquenique é algo natural, solo, com amigos, casais, ou ainda, famílias.
É impressionante como uma cidade tão grande pode ser tão organizada e funcionar tão organicamente. Certamente tem seus vários problemas, mas vou destacar minhas experiências com esta cidade, pois são a única fonte que tenho para traduzir. No entanto, também ouvimos algumas poucas pessoas nos aconselharmos a andar com as câmeras virada para frente do corpo ou guarda-las afim de evitar roubos. Mas podemos garantir, que em todos os 2 dias que andamos por várias partes das regiões centrais do aeroporto, nem sequer percebemos alguma persona que pudéssemos lançar o olhar preconceituoso e taxativo como alguém que pudesse fazer mal.
Sendo assim, lembrei da minha querida Maceió, da nossa querida Maceió, nosso incrível mar azul piscina ou verde esmeralda. Fico imaginando se o belo mar nos fez nos acomodar e não sermos criativos ao ponto me fazer o diferencial em vários aspectos de infraestrutura, lazer, cultura e outros. ¿ Será que tanta beleza nos enfeitiçou ¿ e isso nos deixou acomodados ¿ E foi ai que lembrei da nossa capital vizinha, Aracajú, que ganha todos os sedimentos do rio São Francisco e conseguiu e consegue realizar trabalhos em diversos tipos de atividades. Vejo Aracajú como uma cidade viva, guerreira e exemplo; assim como Buenos Aires. Já nossa querida Maceió, ou melhor, nós alagoanos ainda tem muito que aprender e mais ainda para Reconstruir.
• Observação: Aprender está relacionado com conceito, construção da idéia, ideologia e não com obras.
Continuando... Encontramos um Jardim Japonês, lugar muito bem decorado com vários bonsais árvores típicas japonesas, ponte japonesa, sino, lagos cheias de peixes. Esse jardim vai me fazer lembrar de quanto uma organização prévia pode evitar grandes erros, economizando tempo e dinheiro. Depois hablo mais sobre os prejuízos da viagem.
Após trocarmos arigato por gracias, seguimos para o Zoológico Nacional. A entrada custou AR$ 60,00. Voltei a ser criança. Lembrei da época que pedia sempre pra minha mãe comprar as figurinhas e tentar completar um álbum dos animais dos continentes. Sabia o nome dos principais animais de cada continente. E passei praticamente toda a minha vida sem ver 10% desses grandes animais.
Então, entrar naquele zoológico, com aquelas várias crianças acompanhadas com seus pais, foi resgatar lembranças fantásticas de quem era eu. Tinha de tudo um pouco, vou começar pelo Hipopótamo, animal realmente gigante, eu imagina que era do tamanho de um porco grande, mas deve ter no mínimo 4 ou 5x maior. Girafas tranquilas; uns bichinhos com uns chifres em forma de saca rolha; o Rinoceronte é imenso, porém não mostrava resistência nem pra se erguer; uma Anta preguiçosa; um Elefante amostrado; Leoas; Leão; Tigre de Bengala; Pantera e um magnífico Tigre Branco; Cobras de muitos tipos e tamanho; Peixes de várias espécies, inclusive um pequeno Cação e até o Nemo e a aquela amiga dele que é mais esquecida do que eu. Fim da visita!
Seguimos ainda em direção ao Cemitério da Recoleta, e no caminho compramos água, muita água, estávamos já exaustos de tantos passos. Após algumas quadras encontramos a quadra do cemitério. Existem muitas pessoas famas enterradas lá, mas a missão não era reconhecer os túbulos famosos, mas sim conhecer pouco do todo e não alguns jazigos. Cemitério muito conservado e organizado até demais. Não se pode usar tripé para fazer fotografias, isso me fez repensar de como fazer fotos sem ele num lugar incrível como aquele. Fiz o que consegui dentro dos meus limites e dentro do respeito as regras, mas nem todas foram respeitadas. Chegamos poucos minutos para fechar a entrada do cemitério e tínhamos 30 minutos para sair. Só que ficamos muito mais que isso. Fomos os últimos a sair, levamos uma bronca e ainda revistaram nossas mochilas. Cemitério conhecido parcialmente, atravessamos a rua e entramos em uma galeria chique de doer, assim que pisamos o pé direito no interior da galeria, o segurança passa o rádio, nos acompanha (in)discretamente, dá a volta por nós hablando muitas palavras que até então eu achei que era coincidência, mas meu preconceito sabe muito bem reconhecer algumas atitudes.
Seguimos andando pela galeria e a cada piso que subíamos algum segurança passava o rádio, e o outro também, e o outro, e o outro. Entramos em uma tienda e o segurança estava lá na porta. Talvez porque nós parecíamos que estávamos no meio da salva, com cara de cansado, cheios de tralhas: máquinas, tripé, mochilas. Estávamos realmente fora do padrão daquela galeria, talvez isso explique porque tantos olhares. Pelo menos eles agiram dentro do (in)discreto e achei melhor não ir passar a limpo meu préconceito que já era um conceito nessas alturas.
Seguimos para um supermercado na outra quadra, compramos pães, suco de laranja e voltamos para o aeroporto. Pegamos e pagamos nossas bagagens no guarda volumes, fomos para o corredor secreto e fizemos nosso ... – Como se chama ‘café da noite’ em espanho ¿ Lembrando que 21h é a hora do por do sol por aqui. 22h fomos fazer o check in. Como não queria me desfazer do meu ilustríssimo tripé, decidi levar ele na bagagem de mão, ou seja, fui barrado! Voltei correndo e consegui despacha-lo na bagagem de carga sem mais problemas.
Embarcamos e decolamos. Na decolagem, as luzes começaram a diminuir de tamanho até ficarem pequenos pontos de luzes, de diversas cores, algumas até um pouquinho maiores que as outras, todas elas organizadas. Aqueles pontos de luz me fez lembrar das redes de conexões que as cidades possuem. O emaranhados de vias que dividem-se em outras que terminam em outras e voltam a se ligar para formarem outras que se juntam formando uma maior. A cidade foi um show de luzes que não senti em nenhuma queima que fotos antes vista. Quis fotografar, mas preferi me encantar com cada pontinho de luz, que de tanta organização formava uma cena áudio visual com o som da turbina do avião que será inesquecível.
Desembarcamos em Río Gallegos 3h.
PASSO 05: Em direção ao fim do mundo: Ushuaia!
...
04-jan-2013, Buenos Aires >>> Ushuaia
Por: Carlos Oliveira
Rio Gallegos... 2:45 hs da manhã, desembarcamos no Aeroporto, começou o frio mais esta suportável... Fomos nos informar sobre transporte para rodoviária que de lá pegaríamos um ônibus direto para Ushuaia. Conseguimos um taxi negociado por $ 30,00 que depois o cara chorou tanto que ficou por $ 45,00 acontece! Bom, ao chegar na rodoviária, já tinha algumas pessoas esperando as agencias abrirem para compra destinos diferentes, então como eram muito cedo ainda e as agencias abriam de 7:00hs, pegamos o saco de dormir e tiramos cochilos! O chão da rodoviária ficou topado de mochileiros deitados nos sacos de dormir.
Normalmente,compramos as passagens, pegamos o ônibus as 9:00 e eram 12 horas de viagem até Ushuaia (entro em território Chileno, saindo... entrando em território Argentino), atravessamos o famoso Estreito de Magalhaes, FANTÁSTICO! E a paisagem desértica também não nos fazia dormir! Pegamos um balsa pra atravessar o Estreito “mais o inesperado aconteceu” quando estamos na parte superior da balsa todos escutam um estouro! Era a suspensão do nosso ônibus que tinha rompido um tubo, (atraso na viagem). SEM PROBLEMA! Estamos indo pro fim do mundo! Só não contávamos com as rajadas de vento daquele lugar onde ficamos cerca de 02:00 hs parados!
Tinha um restaurante, menos mal! Fui saber os valores... tomei um susto que quase parou meus batimentos cardíacos, “um sanduiche, $ 2500,00” SÓ LEMBREI QUE ALI ERA CHILE, DEPOIS QUE SAIMOS! Resultado, FOME! E vamos lá...
Os motoristas do ônibus eram desenrolados e conseguiram consertar, então seguimos viagem, tá ficando a cada quilometro mais bonito o visual! Após mais ou menos 16:00hs chegamos a Ushuaia.
O Leandro: “Burracha, quando a gente desembarcar em Ushuaia vamos fazer com em Rio Gallegos, dormir na Rodoviaria” kkkkkkkkkkkkkkkk, não foi bem assim não! Chegamos perto de 23:40hs, a rodoviária era a própria rua, o frio que fazia na deixavam nem a gente raciocinar... Meu foi um terror! E a ordem era marchar... Mochilas pesadas... Depois de sofre um pouco, conseguimos um Hotel bom pra ficar. O dia foi cansativo, mesmo ficando sentado o tempo todo! Fomos dormi umas 2:15... Expectativa pro dia seguinte!
PASSO 06: Ushuaia ..
05-jan-2013, Ushuaia-ARG
Por: Carlos Oliveira
Acordamos tarde, mais o desejo de usufruir o dia nos fez sair as pressas atrás de locar bicicleta para facilitar nosso deslocamento na cidade, depois de varias consultas em locais distintos, conseguimos, era perto de meio dia, mais não perdemos tempo... Fomos conhecer o Glaciar Martinial! Que percurso lindo! Dava vontade de parar o tempo todo e ficar vendo a paisagem... vista insaciável! Era uma subida que nem sentimos tanto, a vontade de chegar era maior do que a preocupação com a distancia e condições adversas... Encontramos um casal e mais um cara, ambos Brasileiros... Gente boa a galera, “resenha antes eu tinha comentado com Leandro que éramos os únicos brasileiros a viajar até Ushuaia na base do pão, queijo, presunto e água” Não estávamos só... Eles também!!! Trocamos informações e seguimos, o melhor estava por vir... Chegamos na base da montanha, deixamos as bicicletas e seguimos mais uns 30 min. andando , espetacular o visual!
Neve, gelo, frio, vento, eu me sentia realmente muito satisfeito, deu vontade de chorar... Esperem ai galera!! Chorar de frio, o vento que vinha entrecortando as montanhas nos fazia sentir a face congelar, não estávamos preparados com agasalhos!! Não tínhamos comprado nada ainda, o Leandro me fez acreditar que o que a gente tinha seria suficiente para os primeiros dias da viagem... Enganou-se!
Bom, continuamos a subir a montanha, de repente... em frações de segundo o céu ficou “cinza não” PRETO!! Coisa de louco, estava vindo uma tempestade, achamos um pedra que formava uma loca e então nos protegemos lá, em poucos minutos, impressionantemente céu azul outra vez, continuamos a subir... Então chegamos ao Glaciar, era muita neve... Nordestino das Alagoas acostumado a fritar na Fernandes Lima em horário de pico, agora estava congelando a “poupança na neve”, saímos escorregando, mergulhando, tentando correr e o pés afundando! (Delícia esta neve). Após algumas horas, descemos era perto de 21:00hs e tudo claro ainda! Ah, identificamos um casal brasileiros por um “ai”, a moça quase descia a montanha capotando! Uffa! Eu também dei uma escorregada no gelo derretendo, e sentei de bunda!!! Ao descer para cidade fomos contornar uma lagoa, que nos fazia ficar de frente para Ushuaia Iluminada pelo por do sol de 22:00hs aproximadamente. Sensacional! E finalizamos este dia exaustos... comemos em uma lanchonete perto do hotel e em seguida votamos para o hotel, o dia seguinte prometia! Boa noite!
















04-jan-2013, Buenos Aires / Rio Gallegos / Ushuaia
Por: Ewerton Soares
Chegando em Río Gallegos de madrugada, por volta de 2h. Ficamos lá no aeroporto nos ambientando, várias pessoas mochileiras, pegamos algumas informações: todas diferentes. Decidimos ir até a rodoviária e ver o que tinha lá de aberto em plena madrugada e fomos negociar com o taxista quando custaria o translado. O taxista cobrou AR$ 50,00, o Borracha, rei da pechincha, convenceu ele por AR$ 35,00. No caminho fomos conversando as mesmas historinhas de sempre, como é isso¿ ou aquilo e isso e aquilo. Chegando na rodoviária, o taxímetro mostrava AR$ 60,00 e ele quis cobrar este novo valor. Houve uns 5minutos de negociação e fechamos por AR$ 45,00.
Na rodoviária: toda fechada! Havia um grupo de meninas na rua que chegaram em um taxi um pouco antes de nós. As coisas vão se resolvendo novamente. Aparece um cara com uma chave, abre a rodoviária e pede para nós esperarmos ela funcionar lá para 7h da manhã. Quando entramos, parecia mais um acampamento: gente jogando carta, várias pessoas dormindo no chão, em cima das cadeiras, sentadas. Seguimos o fluxo da via, colocamos o isolante no chão e só 6h é que despertamos. Compramos a passagem por uns AR$ 450,00 e seguimos para Ushuaia.
No caminho inicial, ainda estava devendo horas pro meu sistema nervoso, continuei dormindo. Mas teve uma hora lá que o ônibus parou: - o que aconteceu¿ Pensei. Estávamos no Estreito de Magalhães. Por que Magalhães não sei, por que estreito eu esqueci. Haviam 2 balsas que atravessavam todo tipo de coisas: caminhão, carro e gente. O estreito deve sofrer influências do: Atlântico, Pacífico, Antártida. Atravessamos com tranquilidade até um certo tempo. O vento forte e frio soprava, vários de nós eram típicos turistas da Patagônia: tirávamos fotos com qualquer objeto que tivesse o nome do estreito, a bandeira da argentina e o nome patagônia.
Entramos na balsa e seguimos para uma cabine com um cheiro bom e quando olhamos era pão com salsicha, que custava AR$ 15,00. Foi esse o nosso desayuno. Após aproveitar o conforto da cabine, subimos para o nível acima, onde tínhamos uma visão panorâmica do estreito, com sua água gelada e seus ventos fortes e gelados.
Perto do final da outra margem do Estreito, um estouro gigante! Todos os funcionários se seguem para o pneu traseiro do nosso ônibus. Havia estourado a suspensão. Com muita dificuldade o ônibus consegue descer da balsa, estacionar e parar. Os motoristas e o auxiliar se transformam em mecânicos ingressam embaixo do ônibus e trocam ferramentas. Isso deu ânimo e esperança de que não passaríamos todo o dia lá. Enquanto isso, Carlos segue para o aconchego de uma tienda de madeira e eu vou dar algumas voltas pela orla do estreito fotografar. Gatos, placas, pichações, água mais que gelada, seixos, conchas, vegetação rasteira, uma paisagem sépia com muitas nuvens.
Uma observação: nunca deixe o seu tripé longe de você. Despachei o meu na bagagem, que foi lacrada e inviolável. Perdi de fazer algumas fotos boas por causa disso. Mas não fiquei completamente deprimido porque existe a maravilha do arquivo RAW. Para fotógrafos, depois irei colocar um passo só pra esse tópico. Existem muitos detalhes para serem compartilhado.
Segui para barraca e fechamos algumas estratégia da viagem. Após umas 2h de espera, o ônibus está pronto. Os caras são uns mágicos, pensei que iríamos passar muito mais tempo por lá. Acabou que foi um passeio mais longo pelo Estreito de Magalhães.
Continuamos a viagem até chegar novamente na fronteira com o Chile. Pegamos uma fila exclusiva. Nessa fila haviam 2 japonesas na nossa frente foleando seus passaporte, várias e várias páginas de vários tipos de carimbo. O Carlos viu até o carimbo da Ilha de Páscoa. Depois disso, olhamos um pro outro e depois para os nossos passaporte. Abrimos o passaporte, passamos a primeira página, a segunda página e acabou na terceira página; são nessas horas também que se cria o perfil de conhecer o mundo como meta. Carimbamos nosso passaportes e voltamos para Argentina. Depois disso, seguimos beirando o Pacífico. O sol insistia em ficar. Chegamos em Ushuaia cerca de 23:40.









05-jan-2013, Ushuaia-ARG
Por: Ewerton Soares
Chegando em Río Gallegos de madrugada, por volta de 2h. Ficamos lá no aeroporto nos ambientando, várias pessoas mochileiras, pegamos algumas informações: todas diferentes. Decidimos ir até a rodoviária e ver o que tinha lá de aberto em plena madrugada e fomos negociar com o taxista quando custaria o translado. O taxista cobrou AR$ 50,00, o Borracha, rei da pechincha, convenceu ele por AR$ 35,00. No caminho fomos conversando as mesmas historinhas de sempre, como é isso¿ ou aquilo e isso e aquilo. Chegando na rodoviária, o taxímetro mostrava AR$ 60,00 e ele quis cobrar este novo valor. Houve uns 5minutos de negociação e fechamos por AR$ 45,00.
Na rodoviária: toda fechada! Havia um grupo de meninas na rua que chegaram em um taxi um pouco antes de nós. As coisas vão se resolvendo novamente. Aparece um cara com uma chave, abre a rodoviária e pede para nós esperarmos ela funcionar lá para 7h da manhã. Quando entramos, parecia mais um acampamento: gente jogando carta, várias pessoas dormindo no chão, em cima das cadeiras, sentadas. Seguimos o fluxo da via, colocamos o isolante no chão e só 6h é que despertamos. Compramos a passagem por uns AR$ 450,00 e seguimos para Ushuaia.
No caminho inicial, ainda estava devendo horas pro meu sistema nervoso, continuei dormindo. Mas teve uma hora lá que o ônibus parou: - o que aconteceu¿ Pensei. Estávamos no Estreito de Magalhães. Por que Magalhães não sei, por que estreito eu esqueci. Haviam 2 balsas que atravessavam todo tipo de coisas: caminhão, carro e gente. O estreito deve sofrer influências do: Atlântico, Pacífico, Antártida. Atravessamos com tranquilidade até um certo tempo. O vento forte e frio soprava, vários de nós eram típicos turistas da Patagônia: tirávamos fotos com qualquer objeto que tivesse o nome do estreito, a bandeira da argentina e o nome patagônia.
Entramos na balsa e seguimos para uma cabine com um cheiro bom e quando olhamos era pão com salsicha, que custava AR$ 15,00. Foi esse o nosso desayuno. Após aproveitar o conforto da cabine, subimos para o nível acima, onde tínhamos uma visão panorâmica do estreito, com sua água gelada e seus ventos fortes e gelados.
Perto do final da outra margem do Estreito, um estouro gigante! Todos os funcionários se seguem para o pneu traseiro do nosso ônibus. Havia estourado a suspensão. Com muita dificuldade o ônibus consegue descer da balsa, estacionar e parar. Os motoristas e o auxiliar se transformam em mecânicos ingressam embaixo do ônibus e trocam ferramentas. Isso deu ânimo e esperança de que não passaríamos todo o dia lá. Enquanto isso, Carlos segue para o aconchego de uma tienda de madeira e eu vou dar algumas voltas pela orla do estreito fotografar. Gatos, placas, pichações, água mais que gelada, seixos, conchas, vegetação rasteira, uma paisagem sépia com muitas nuvens.
Uma observação: nunca deixe o seu tripé longe de você. Despachei o meu na bagagem, que foi lacrada e inviolável. Perdi de fazer algumas fotos boas por causa disso. Mas não fiquei completamente deprimido porque existe a maravilha do arquivo RAW. Para fotógrafos, depois irei colocar um passo só pra esse tópico. Existem muitos detalhes para serem compartilhado.
Segui para barraca e fechamos algumas estratégia da viagem. Após umas 2h de espera, o ônibus está pronto. Os caras são uns mágicos, pensei que iríamos passar muito mais tempo por lá. Acabou que foi um passeio mais longo pelo Estreito de Magalhães.
Continuamos a viagem até chegar novamente na fronteira com o Chile. Pegamos uma fila exclusiva. Nessa fila haviam 2 japonesas na nossa frente foleando seus passaporte, várias e várias páginas de vários tipos de carimbo. O Carlos viu até o carimbo da Ilha de Páscoa. Depois disso, olhamos um pro outro e depois para os nossos passaporte. Abrimos o passaporte, passamos a primeira página, a segunda página e acabou na terceira página; são nessas horas também que se cria o perfil de conhecer o mundo como meta. Carimbamos nosso passaportes e voltamos para Argentina. Depois disso, seguimos beirando o Pacífico. O sol insistia em ficar. Chegamos em Ushuaia cerca de 23:40.







PASSO 06: .Ushuaia - ARG
06-jan-2013, Ushuaia - ARG
Por: Ewerton Soares
Acordamos tarde, o tempo estava chuvoso, não tínhamos casaco impermeável, nem roupas adicionais caso ficássemos todo molhado. Esperamos a chuva passar no hostel e atualizamos o site/blog/flog. Fazer esses blogs dão um trabalho da gota, mas confesso que acho que ele ficou bem elegante pra um site de mochileiro, mas também acho que poderia melhorar bastantes as os textos se houvesse mais tempo, já que esse não é o caso, fica assim mesmo.
Salvar as fotos é outra catástrofe que dá um trabalho dos infernos. Cartões de memória, 3 câmeras, 2 HDs, formatar, ter cuidado de não apagar o que não foi salva, cargas das baterias, limpeza, em fim, é um terror a parte. Retornaremos depois com esse assunto.
Quando a chuva deu uma trégua, o Carlos foi para o museu e eu fui para o cemitério. Um cemitério simples, com algumas covas dos prisioneiros que sempre é lembrado nas pinturas da cidade, nos suvenires e nas histórias. Fiz algumas fotos e fui pedalando acerca da Laguna encerrada, lugar clássico de se ver o por do sol ultra demorado do Ushuaia, o céu sai de azul claro, para amerelo, para vermelho, para roxo para rosa, para azul escuro, para negro. Assim é o Ushuaia. O final da tarde lá é realmente diferente de outros lugares. Turistas chegam e saem da enseada todos os instante; alguns tipos de aves povoam o lago; barcos e navios estão na baia; água verde cristalina; as casas da cidade ao fundo e ao alto as montanhas desenha uma linha muito diferente do horizonte.
Voltei para o hostel e ... zuuuuuu...
PASSO 06: .Ushuaia - ARG
06-jan-2013, Ushuaia.
Por: Carlos Oliveira
Zzzuuuuu!! Tínhamos programado para acordar cedo hoje e aproveitar a diária da bike e fazer um circuito até o Parque Nacional e assim chegar antes das 8:00hs e não pagar o ticket da entrada, mais o esforço do dia anterior nos presenteou com febre e mais dois motivos nos fez perder a hora prevista para sairmos (dormimos muito e amanheceu chovendo), então tiramos o dia para visitar museu, cemitério (Leandro logico, o carinha pra gostar de mortos... Ah, agora me liguei o e-mail é um num sei o que de não há morte, será que é isso que ele quer provar¿ que não há morte!) bom deixa para lá, saímos tarde do hotel pós como havia comentado estava chovendo, por volta de 10:15 finalmente a chuva parou e fomos colher informações sobre o passeio a pinguineira (local onde ficava a maior concentração de pinguins), depois fomos no centro de informações turísticas e em seguida eu fomos para o museu, e o Leandro foi ver os mortos do “fim do mundo”! O passeio no museu foi muito legal, é interessante ver uma cultura totalmente diferente da nossa, a organização, a disciplina... a historia de cada situação vivida por pessoas fizeram acontecer os avanços da região. Após 2 (duas) horas eu e Leandro nos encontramos em frete a loja da Columbia, iramos compra o que a gente não trouxe de casa, kkkkkkk... roupas! Saimos praticamente só com a roupa do couro e já estava na hora de decidir tomar uma atitude mais sensata, sem roupas adequadas vamos passar mal principalmente no próximo destino (El Calafate, Glaciar de Perito Moreno e etc.), então fizemos! Compramos alguns peças de roupa, e depois fomos comer, já era perto de 22:00 então voltamos para o hotel, eu fiquei pra dormir mais cedo e o Leandro foi fotografar o por do sol! Fim do dia pra mim, decidimos ficar mais um dia em Ushuaia afinal de contas não sairíamos sem conhecer o parque, transferimos a programação para o dia seguinte!


PASSO 08 .Dia livre em Ushuaia
...
Dia de descanso...
PASSO 07:
PN Tierra del Fuego
07-jan-2013, Ushuaia.
Por: Carlos Oliveira
Dormi muito bem esta noite, 5:30 acordei o Leandro, o dia estava muito bonito, porem frio no nosso termômetro marcava 0,5 grau frio do caceta! Como tínhamos dormido com tudo arrumado, saímos logo. Pegamos as bicicletas, mochilas nas costas com agua, dois passatempos, três chocolates, dois energéticos, dois club social e muita, mais muita disposição pra enfrentar o dia todo de trilha... partimos! Ruas ainda desertas, vento frio na cara, minhas mãos congelando, tive que colocar as luvas não suportava mais!
Depois de alguns minutos saímos da parte de asfalto e adentramos pela estrada de barro (pedriscos típicos da região), a Goopro no capacete registrava tudo menos o frio, QUE FRIO DA GOTA!! PLACK, quebrou o cambio da minha bike, poxa ainda era o inicio do nosso trajeto cerca de 1,5 – 2,0 km percorrido dos 12,0 ate o park e depois mais 22,00 dentro dele vezes 2, pra voltar. Foi quando o Leandro falou: “Burracha, vamos voltar deixa as bikes e retornamos de ônibus.” Ai eu disse: deixa disso Leandro, assim perderemos a promoção free de chegar antes das 8:00 no park. Ok! Disse ele. Agora já não era mais o frio e o peso do equipamentos que carregávamos que dificultava a locomoção, mais também carregar uma bike quebrada! Que nada, é na adversidade que o guerreiro cresce! Vamos simbora... aclive empurrando, declive descia de bigu! Foi assim ate conseguir chegar na entrada do park as 07:35 e conseguimos não pagar a entrada.
Seguimos para o primeiro mirador, (Baia Enseada) perfeito o local, depois de uma ladeira que acredito ter alcançado cerca de 60 km por hora de bike, adrena da pega! Pense na doidera... pelo menos esquentou a carne! Tinha uma barraca tipo porto, que funcionava como correio creio eu e lá se encontrava um Senhor “dedo duro”, ligou pra os guardas do park informando que tinha dois ciclistas... Deu merda! O pior ainda nos aguardava. Bom, seguimos... tiramos algumas fotos e depois seguimos por uma trilha que informava numa placa só permitir treeking “caminhada”, mais eu e o Leandro “brasileiros... não desistem nuca” continuamos ilicitamente.
Foi ai que me veio um momento de reflexão “a cada sorriso dado em uma descida, despejara um rio de lagrimas para subir” meu irmão que trilha louca, era sobe, desce, abaixa, desvia, pula, corre, anda, se pendura... já tava nas ultimas, e as horas passando e nada de terminar, agora pense carregar bicicletas nessa situação, mais o combustível era nada mais nada menos do que a paisagem patagônica! Meu só aqui pra ter o que os nossos olhos conseguiam resgistra! Derepente, um casal nos aborda e nos advertem (vocês não sabem que não podem estar aqui ¿ O Leandro ainda tentou se explicar, mais foi barrado por uma voz bruta da mulher: duas coisas... vocês não podem estar aqui sem pagar, nem muito menos de bicicletas!!!! Não pagaram pra entra mais iram pagar pra sair, e podem ser multados!! Gelei nessa hora. Dai a guarda mandou a gente seguir e na volta o pessoal da entrada estaria nos esperando. F... com a Maria preá!!
Pensamos: Já que tamos na merda, vamos nos lambuzar agora, seguimos tirando fotos cada paisagem era um registro! Teve até uma resenha ( encontramos uma arvore massa, ai o Leandro disse Burracha tu senta em um galha eu coloco a maquina no automático e vou sentar na outra, HOMI PRESTOU NÃO, quando o Leandro correu pra sentar na arvore, deu um giro sentando e vábê no chão! Muito engraçado.
Ao chegar o final do park encontramos uma moça que nos informou que todo mundo já estavam sabendo de dois brasileiros que entraram no park de bike sem pagar, ate policia tinha esperando a gente! NOSSA SENHORA, fica preso era demais! Retornamos...
Após 17,0km de sobe e desce de retorno até próximo da portaria de entrada, tinha uma ladeirinha que ai falei pro Leandro: meu irmão só pare se mandarem, caso contrario vamos passar, a gente tá merda mesmo! E assim fizemos, GRAÇAS A DEUS deu certo, conseguimos! Muito aliviado depois que chegamos na cidade por a sensação que a gente tinha era que os poliça vinha atrás da gente! Mais enfim essa foi a aventura do dia, entregamos as bikes e fomos pro hotel.
PASSO 07 PN Tierra del Fuego
...





PASSO 09 .Caminho para Puerto Nalales-CHI
Por Ewerton Soares
Estamos pegando o coletivo agora as 5h da manhã para passar várias horas até chegar Puerto Natales. Chegando lá, vamos pra um hostel e preparar para os 80km do circuito duble v do PN Torres del Peine. Estaremos fora do ar por alguns dias. Obrigado pelo apoio e atenção de todos. A vagem continua...























PASSO 11 .
Glacial Perito Moreno - ARG
Por Ewerton Soares
15-jan-2013
Hoje foi o dia de sair de Puerto Natales para El Calafate. Saímos pela manhã; passamos por dois procedimentos de controle de fronteira, carimbo de passaportes e chegamos em El Calafate. Descemos na rodoviária, pegamos as malas e já fui direto em um centro de informações turísticas perguntar onde poderia comprar o passeio do ‘Big ‘Ice e a localização de algumas opções de hostel. De posse do mapa da cidade todo marcado com os pontos principais, eu e o Carlos descemos umas escadarias com as mochilas e tudo mais fizemos a reserva do Big Ice para o dia seguinte, que é um passei por cima do Glacial Perito Moreno e saímos pra procurar um hostel. Após algumas tentativas, conseguimos encontrar 2 vagas para o Hostel El Calafate.
*Hostel: http://www.calafatehostels.com
Precisei alugar uma bota novamente e lembrei da minha bota que deve tá em casa lá paradinha. Passamos no supermercado para comprar alguma coisa para o dia de amanhã e para a noite de hoje. Voltando por hostel, o Carlo fez ovos mexidos com sardinha e pão de forma e suco de laranja. O jantar muito bom. Já que eu não fiz nada, só lavei os pratos e guardei a mochila de comida. Já nas últimas, toda noite eu já estava nas últimas, boa noite e até amanhã.
Por Ewerton Soares
16-jan-2013
Acordamos 5:30 da manhã; higiene pessoal; arrumamos o material necessário para o dia: Luvas, segunda pele, fleece, jaqueta impermeável, óculos escuro, água, bota, câmeras, cartões de memória e baterias; ‘Desayuno das 6:00 até 6:45, que foi a hora que o ônibus do passeio chegou. Ok, tudo pronto!
O passei do Big Ice é dividido em algumas partes:
PARTE 1: Translado da cidade de El Calafate até a escadaria do Glacial Perito Moreno
Antes mesmo de chegar até as escadarias, já foi possível ter uma visão panorâmica de grande parte do Glacial, que é maior do que toda a cidade de Buenos Aires. Chegamos até um lugar onde o bus parou e tínhamos 1:20 minutos para explorar as escadarias.
Assim que descemos do ônibus Perito Moreno estava já a nossa frente. A muralha de gelo é gigante, possui mais de 60m de altura. A media que íamos caminhando pela escadaria, escutávamos estalos gigantescos seguidos de outros sons que se confundiam com trovões e em outras vezes cachoeiras, que era o gelo escorrendo por entre as fendas do glacial. Era em meio a esses incríveis sons que andávamos rápido pelas escadarias de um lado para o outro.
O Glacial é um rio congelado, entre as montanhas, que sempre está em movimento. A Geleira de Perito Moreno avança 2 metros todos os dias. Porém, não invadem as escadarias porque sempre está perdendo paredes de gelo em sua extremidade.
A composição da paisagem é mais um lugar fantástico e único. Muitos icebergs desprendidos estão flutuando em um lago dos dois lados da geleira. O azul é igualmente fantástico aos blocos de gelo que vimos alguns dias atrás, infinitas tonalidades de azul estavam na vanguarda da geleira, a parte superior do glacial, as muralhas de gelo tinham formas pontiagudas, e tornando a paisagem ainda mais detalhada e recortada. Exceto por um lago no final da geleira, Perito Moreno está cercado por montanhas nos seus dois flancos. As montanhas que alimentam o glacial estão no fundo da paisagem, com suas nuvens sempre produzindo neve e sendo incorporada a geleira.
Hoje o céu está azul, sem nenhuma nuvem. Escuto muitas pessoas falando que estamos com sorte. Que sempre é muito difícil encontrar um céu como este. Muitas pessoas deixam de fazer a caminhada sobre o Perito Moreno por está um céu nublado ou nublado com muita chuva. A temperatura estava muito agradável. Falam até que somente 10 dias do ano que se pode ter um céu como aquele. Foi muita, muita sorte.
PARTE 2: Cruzando o lago
Após visualizar Perito Moreno pela frente, seguimos para a margem do lago, embarcamos barco pequeno. Agora estávamos embarcados e visualizando o glacial ao fundo enquanto esperávamos chegar à outra margem.
PARTE 3: Primeiras Instruções e o primeiro tracking
Todos nós desembarcamos e depois foram divididos 2 grupos: o grupo que falava inglês e o grupo que falava espanhol. Claro que estávamos nesse último. E cada grupo foi dividido em mais dois grupos com cerca de 10 pessoas e 2 guias pra cada grupo.
Iniciamos fazendo um tracking belíssimo pela lateral do Perito Moreno e por dentro de uma mata que sempre estava enquadrando o branco do glacial ao fundo. Nessa pequena trilha também havia uma grande cachoeira de uns 40m de altura. Seguimos mais adiante e o terreno começou a ficar pedregoso à medida que ia se aproximando da geleira. Com mais alguns minutos chegamos ao acampamento.
PARTE 4: Segundas instruções e o segundo tracking
Nesse lugar, recebemos as segundas instruções de ‘seguridad, provamos os ‘grampones que ficariam em baixo de nossas botas e colocamos um cinto de segurança para facilitar um possível resgate. Andamos mais alguns metros, colocamos os grampos nas botas e mais uma explicação de como se deve andar com eles em cima do gelo: pernas afastadas; joelhos fletidos; andar em fila; não pisar inclinado; pisadas fortes.
E ai começou realmente a caminhada em cima do Glacial. No geral, fizemos um grande círculo no glacial que durou cerca de 4h de caminhada. Eu estava me sentindo um explorador de verdade, mesmo sabendo que era só um passeio turístico. Aqueles grampos nos pés, botas, todo encasacado, luvas; óculos escuros, uma geleira daquelas em baixo dos pés; só faltou capacete, aquelas ferramentas de alpinista e ser de verdade.
No entanto, o tracking foi algo que valeu muito a pena. Mesmo estando 2 dias de descanso dos quase 5 dias de Torres del Paine, eu estava sentindo muito a caminhada, mas estava muito inquieto para começar a fazer essa caminhada. Lembrei-me dos poucos dias em que tinha pesquisado sobre andar no glacial ainda em Maceió. Pensava como deveria ser andar por cima de um glacial que eu nem sabia ao certo o que seria. Mas eu estava lá, com os ‘grampones nos pés e já iniciava os primeiros passos em cima de uma ideia de muitos dias atrás. Mais um pequeno objetivo estava sendo realizado.
Durante toda caminhada sempre tentava relembrar as regras de segurança, chutei os meus tornozelos com os ‘grampones muitas vezes, por isso que se precisam das botas. Fiz muitas pisadas com o joelho inclinado, ainda bem que os ligamentos novos e antigos seguraram. sem os óculos escuros, é praticamente impossível ver as pequenas variações de altura, ou mesmo ver a paisagem. É muita luz refletida, os olhos ‘cerram, não existem definições.
Sempre que o guia parava pra ‘hablar algo, sacava o tripé do ombro e procurava alguma poça de gelo azul pra fazer um primeiro plano com um segundo e terceiro plano que sempre estavam lá esperando entrar na composição. Talvez eu tenha conseguido fazer algumas fotos muito incríveis. Espero conseguir mostrar um pouco do azul daqueles blocos de gelo. Provavelmente só vendo pra perceber tantos detalhes. Em uma parte da caminhada. Coloquei cabeça dentro de uma fresta azulada. Se o céu é azul, provavelmente são daquelas cores. Foi algo fantástico.
O guia sempre mostrava os tipos de formações do glacial, como: sumidouros, que são buracos formados por escorrimento de água em cima do glacial; existiram também rios semicongelados que se destacavam em tons de azul no em partes brancas e podíamos caminhar por cima dele, pois ele parecia uma esponja de gelo que sustentavam o peso; as formações eram infinitas, escapas, planas, onduladas, com fendas, frestas, linhas, abismos, rios que faziam meandros, e eu sempre tentando ver o máximo de detalhes possíveis.
Estava sempre procurando uma composição que representasse algo incrível, era difícil, mesmo o lugar sendo incrível, nem sempre é tão fácil quanto parece. O guia fez uma parada para o lanche depois de 2h de caminhada. Mesmo estando com fome, não tinha 10 minutos parado e perder de fazer 4 ou 5 boas fotos. Fiquei caminhando em volta do grupo com cuidado e fazendo algumas fotos enquanto o Borracha desfrutava do vinho chileno em pleno Perito Moreno. Após alguns minutos, voltamos pra “trilha” que provavelmente sempre estava mudando.
Após pular alguns rios, seguimos caminhando até chegar num lugar que mais parecia a entrada do céu. Um lago com diferentes profundidades resultando em diferentes cores de azul, misturando com cristais de gelo. Existia um pequeno rio que alimentava o lago, que estava cerca de 10 metros abaixo da linha média do glacial. Foi mais uma vista de algo que certamente será inesquecível. Existem algumas paisagens que são mais principais do que outras e essa era novamente fenomenal.
Pra não variar, fui o último a deixar o lago e o guia pressionando para não sairmos do horário. Os pés com aqueles grampos já estavam ferindo meus pés. Mas eu tinha que aceitar o sofrimento e continuar prestando atenção em cada passo para minha segurança e tentar ao mesmo tempo esquecer a dor para poder continuar observando o glacial.
Quando saímos do lago celeste, mais 1,5h de caminhada ainda estava faltando para concluir os passos em cima do Perito Moreno. Caminhava escutando o som de dos meus passos fincando os grampos no gelo, e com menos intensidade os outros passos do grupo. Apesar de todo aquele gelo, não fazia muito frio.
O céu continuava sem oferecer resistências aos raios solares, que chegavam até nós com toda sua força. Meus lábios já estavam com duas capas de carapaça de pele queimada desde o Ushuaia. Sempre que lembrava, passava protetor labial e solar.
PARTE 5: O Regresso
Saímos todos com segurança do Perito Moreno. Desequipamos os materiais e começou mais 45 minutos de caminhada de volta. Eu sempre por último,fui fotografar a cachoeira agora com tripé, deixei meu casado em cima de uns matos ao lado, fiz as fotos e peguei o casaco topado de espinhos por toda parte, o que me rendeu uns 50 minutos de paciência arrancando um por um no final do dia no hostel.
Ao final da trilha, o guia nos levou praticamente pra frente da muralha de mais de 60m do Glacial. Gostaria tanto de passar 4 ou 5 dias fotografando aquela região com aquele clima, com uma lente 10mm e uma 18-300mm. Enquanto fotografava o gigante à minha frente e no contra luz, nem deu tempo de prestar atenção com meus próprios olhos. Voltamos ao acampamento base para esperar a embarcação.
Ao embarcar, prepararam whisky com gelo do glacial e alfajor, um doce típico da região. Íamos degustando enquanto a embarcação atravessava o lago. Mais algumas lembrancinhas e já estávamos de volta ao Hostel. Devolução da bota; compra de alimentos; preparar os alimentos; comer e dormir.
PASSO 12 ...
El Chaltén, Argentina
...
17-jan-2013
Indo para El Chaltén.
Por: Carlos Oliveira
Acordamos mais uma vez cedo, o destino agora era Chaltén, não era muito longe cerca de 3 horas de viagem, tomamos café e fomos para o terminal rodoviário... Depois do tempo previsto de viagem, chegamos a El Chaltén perto de 11:30 da manha, o ônibus nos deixou de frente ao hostel, muito bom! Fizemos check in no hostel, guardamos as coisas e já partimos para fazer um treeking até a Laguna torres, pertinho do hostel só 2,5 hs de ida, mais a volta... porque para toda ida tem uma volta ( até pra morte, se assim Deus quiser!), 5 horas de caminhada para dois recém chegados, kkkkk... vamos lá! Se estávamos ali era por que queríamos.
Após mais ou menos quinze minutos que tínhamos saído, lembrei que as chaves do quarto tinha ficado comigo, já vai eu ter que voltar para o hostel entregar as chaves... Que merda! Nem tirei no pá ou ímpar com o Leandro, tranquilo! Fui e ele ficou esperando, então seguimos... poxa estava dolorido, depois de Torres del Paine, depois do Big Ice em Perito Moreno, meu corpo, minha mente já sentiam as reações adversas das atividades, “até meus pés que me levam para o mundo, doíam!” eu estava com calos que me incomodavam... mais depois de 2,15 chegamos a laguna torres. Sentei, o calor misturado com vento frio era um contraste massa para tira um cochilo de frente ao “quadro” paisagem, o Leandro disse que até roncar eu ronquei, kkkkk. Bestão! Nem roncar eu ronco! Tiramos fotos, conhecemos uma Sra. Alemã que conhecia o Brasil, em especial Belém do Pará, muito engraçado o jeito que ela falava português. Cerca de uma hora depois o Leandro falou: Carlos, vamos lá em cima no mirador¿ Eu: Vou não Soares, ele então seguiu e eu voltei, queria um banho, queria chegar cedo, queria cuidar dos meus lindos pés, tinha muitos lugares para eles me levar ainda. Ele foi e eu voltei, devagar, brigando com umas mutucas, todos sabem o que é mutuca né¿ pois bem, as que eu estava brigando não eram apenas mutucas, gente! Eram aberrações, super mutucas, verdadeiros monstros, pensem... eu já estava no pó, querendo chegar e os monstros não me dava trégua! Gatei mais de 3 horas para voltar ao hostel. Cheguei, tomei banho caliente, fui pro quarto ficar de boa e esperar o Leandro que só chegou quase meia noite, com uma cara de sofredor da gota, dizia que o tal mirador não tinha sido na perto, foi mais de uma hora indo, dai vocês somam! Louco. Teve que tomar paracetamol! Fomos dormir... o outro dia nos aguardava.
18-jan-2013 Fitz Roy
Por Carlos Oliveria
Esse treeking prometia, eram mais ou menos 3,5 de níveo médio e mais 1 hora de níveo alto (uma verdadeira verticalização de trilha)
Acordamos próximo de 7:30 da manhã, o hostel não tinha desayuno incluso, mais estávamos com nossos produtos alimentícios que utilizamos naquela manhã... Tomamos café e então começamos a trilha, eu tinha no psicológico a ideia de que aquela seria o nosso único treeking nessa viagem que já passava de muito radical, um pouco de musica que escutava pelo fone me deixava descontraído, estava muito ansioso para ver a paisagem que nos esperava, depois de mais ou menos 3,5 hs de caminhada podemos chegar ao final da primeira etapa daquele treekiing, o que tínhamos que fazer agora era subir quase verticalmente por mais uma hora, e o caminho era muito difícil, cascalho solto nos fazia deslizar um pouco e qualquer passo em falso poderia levar a se machucar, não queríamos isso! Então subimos com muita cautela. Conseguimos chegar ao topo que nos deixavam de frente para um ESPETACULO DE LAGO, a coisa mais linda que já tinha visto durante todos esses dias na região patagônica, era um lago cristalino, azul, e ao fundo um dos picos mais conhecidos da américa do sul por escaladores, Fitz Roy. Fiquei simplesmente impressionado! Tinha uma lateral que se encontrava um pouco nevado, então seguimos até lá, tiramos algumas fotos, acho que o Leandro escreveu alguma declaração na neve para a namorada... Bem, fomos contornando e baixando até chegar as margens do lago, e não deu outra, algumas das minhas peças de roupa foram tiradas, e o Leandro ainda não acreditava que eu fosse mergulhar naquele lago gelado, mais por precaução de não perder o registro do mergulho, ligou a câmera para filmar, então foi de cueca mesmo, rsrsrsrsrs... era a nossa cartada final, um banho gelado em aguas cristalinas! Incrível a sensação!!! Experiência como nunca vivida até este dia, um mergulho em uma água com tanta transparência e muito gelada só na Patagônia! O Leandro não conseguiu resistir e caiu não agua também, era muito rápido o mergulho não dava pra passar muito tempo, porem os segundos na água valiam muito pra gente, representava o mais alto nível de satisfação do que estávamos vivendo. Ficamos depois alguns minutos secado ao sol, e então contornamos o outro lado lago onde tinha uma cacheira muito bela, tiramos fotos e depois seguimos voltando! Eu me sentia muito cansado massacrado, dolorido, meus calos tinham se agravados mais, então quis encurtar aquela dor aumentado os passos para chegar logo, Leandro vinha um pouco mais devagar, e isso me vez pegar distancia dele... e essa distancia ia aumentando, e aumentando mais e mais, pensei em esperar mais queria chegar logo, e acabar com aquele “sofrimento” quando pegava um plano ou descida acelerava mais os passos, chegava a correr... isso me fez gastar 2:43 total na volta, cheguei muito sedo! Dai fui tomar banho, entrei no face pra passar o tempo e esperar o Leandro, era mais ou menos 21:30 a hora em que eu cheguei o sol já estava se pondo... deu 22:00, 23:00 e nada do Leandro chegar já começava a pensar besteira, ficar preocupado, ia do lado de fora do hostel e nada do cara chegar, será que se machucou eu pensava, será que... tinha uma senhora brasileira no hostel que conversando comigo ainda inventou de falar: se vocês estavam juntos por que você não o esperou¿ só faltei chorar, estava muito preocupado com o Leandro, era muito a diferença, mesmo que fosse engatinhado era pra ele já ter chegado, e nada do cara, na ultima vez em que eu fui do lado de fora, pronto para ir a procura dele... o cara chegar com a cara lisa, dizendo que tinha se perdido, andado mais 20km, meu irmão, fiquei feliz por ele estar bem, mais fiquei muito puto, não a ver da gota, o cara se perder... bom era quase meia noite nem quis conversar muito, fui dormir! Boa noite!
19-jan-2013 De El Chaltén para El Calafate.
Por: Carlos Oliveira
Bom dia! Bem, como vocês leram não foi muito boa minha noite, muito cansado e ainda fui dormir com fome esperando o Leandro chegar... O cara inventa de tirar foto e se perde na volta! Espero que ele conte isso direito nos textos dele! Tinhamos uma programação para hoje, porem foi cancelada devido aos esforços, principalmente o de ontem. Como nosso ônibus era de 18:00hs e passa na frente do hostel, ficamos lá mesmo de boa, comendo passando fotos ate dar a hora... Saimos de El Chaltén e no cerca de 3,5 chegamos a El Calafate denovo desta vez apenas para passar a noite e no outro dia de manhã seguir de volta para Porto Monte também passaríamos apenas uma noite e seguiríamos de Navio pelos fiordes da Patagônia (viagem de 4 dias até Porto Mont), bom chegamos em Calafate e como já havíamos reservado nossas vagas no hostel, ficamos no mesmo, passamos no supermercado para comprar comida para esta noite e para a viagem de 5 horas de amanha... Jantamos e fomos dormir!
20-jan-2013
De El Calafate para Puerto Natales. 5 horas de viagem.
Por: Carlos Oliveira
Nosso ônibus partia as 8:00hs da manhã, não perdemos muito tempo... acordamos, tomamos café, e fomos para o terminal de ônibus, minha cargueira estava cada vez mais pesada... pegamos o ônibus e fomos pra rotina de viajantes mochileiros (para desce, carimba passaporte... passa a bagagem no infra!), chegamos em Porto Natales e ficamos de novo no mesmo hostel do Sr. Ciro, tínhamos feito reserva com ele, e ele também ficou de reservar nossas vagas no NAVIMAG (Navio), ao chegar em Natales tomamos banho, ajeitamos as coisas e passamos no supermercado para comprar carne e relembra o dia 14 (só a parte da carne, o mico do Leandro deixa pra relembrar no Brasil, kkkkkk), comemos e fomos dormir, estávamos ansiosos para garantir a vagas no navio! Boa noite, até amanhã.
21-jan-2013 - NAVIMAG FERRY (Confirmação da vaga, check in e dormir no navio).
Por: Carlos Oliveira
Acordamos por volta das 7:30hs, o Sr. Ciro nos informou que teríamos que 10:30 efetivar o pagamento de nossas reservas no Navio, o Leandro estava muito preocupado, (o cara ficava numa pilha o tempo todo, Burracha temos que garantir a nossa vaga no navio, Burracha temos que garantir o Big Ice, o Big Jump... que estresse! Calma Sr. Barnner “lembrei do apelido dele”). Passamos na loja em que ele comprou um tênis 2 números menores que o pé dele, (o cara vem para Argentina e Chile fazer treeking, deixa uma bota responsa em casa, e compra um tênis salomon com dois números menores, muito aperriado!), tranquilo... conseguiu fazer a troca, e já estava na hora de ir na agencia do Navimag, ao chegarmos na agencia uma moça e um rapaz nos atenderam, eu tomei um assento e o Leandro ficou em pé... explicamos para os dois que o Sr. Ciro do Hostel W Circuito tinha feito duas reservas para gente, e estávamos lá para efetuar o pagamento, mais eles em primeira instancia disse que não havia vaga, homi pra que disse isso! O Leandro ficou nervoso e eu falei: Leandro senta na cadeira, e cara queria resolver as coisas em pé. Daí a moça nos disse pra aguardar um instante e falou para o Leandro em espanhol: Quera tomar assento senhor! E ele não entendia, e a moça tornava a repetir, quera tomar assento senhor, e nada do Leandro entender... estava muito nervoso achando que não iriamos conseguir, ai eu falei: Leandro, a moça esta pedindo pra você sentar, tinha um casal que esperava atendimento também, que começaram a rir com a situação que tornou-se engraçada! Pronto! Consegui falou o cara, nossas vagas estavam lá. Resolvido isso, saímos pra que compra-se algumas coisas e tinham que voltar para fazer o check in de nossas bagagens de embarque! Tudo certo, deixamos a bagagens e depois 22:00 voltamos ao navio para dormir... Era fantástica aquela situação, agora estava eu indo para um TRANSPACÍFICO, pelos fiordes da Patagônia e que grande era o navio, muitos carros, caminhões e carretas embarcando... entramos, fomos direcionados as nossas acomodações onde nossas bagagens nos esperava, saímos para fazer um reconhecimento de área, comemos e voltamos para dormir! Boa noite.
PASSO 10 .Parque Nacional Torres del Paine-CHI
Por Ewerton Soares
10-jan-2013, Parque Nacional Torres del Paine - CHI
Pela manhã organizamos todos os materiais que iríamos usar na trilha. Todos que iríamos usar, não todos os materiais mínimos para uma trilha em plena patagônia de 4 dias e 3 noite. Vocês vão ver a medida do texto que faltaram muitas coisas e fez muita falta o que faltou.
Arrumávamos tudo pensando no mínimo de peso que teríamos que carregar durante 80km de subidas e descidas numa trilha. O Carlos é tão louco que não levou nem isolante, que é uma borracha fina e leve que serve para isolar o frio e a umidade do chão do saco de dormir, vou explicar um pouco mais na frente o desfecho da importância desse equipamento.
Já eu, consegui fazer o impossível, deixar minha bota Vasques Goretex (impermeável e respirável) em casa, só pra não levar peso, eu sou um animal. ¿Como é que eu viajo pra patagônia e escolho NÃO levar uma bota impermeável para as várias trilhas com água, charcos e pântanos¿ Um cara desse só pode ser um animal louco e sem noção. Pois é! Só era eu e meu simples Salomon Speedcross super leve e permeável a tudo. Por isso que eu aluguei botas do dono do hostel, o senhor Ciro. Foram CH$ 2000,00/dia e pensamentos do quanto eu sou sem noção.
Alugamos também uma barraca para 2 pessoas com o preço de CH$ 3500,00 pesos chilenos / dia. Senhor Ciro nos entregou “nova na caixa”. Canivete, casaco impermeável, segunda pele, fleece, barraca, dinheiro, baterias, máquinas fotográficas, tripé, filmadoras, carpa, remédios, algumas coisas a mais e alimentação.
A alimentação deveria ser uma coisa planejada. Saber as quantidades diárias de proteínas e carboidratos e outras substâncias essenciais deveria ser uma prioridade e não seria muito difícil de resolver ainda no Brasil. Fazer um check list da alimentação, fazer uma separação por dia, mas nada disso aconteceu. Eu e o Carlos, que tem muito mais noção do que eu na questão de alimentação, escolhemos basicamente: biscoitos; pão de forma; salsicha; queijo; presunto; um negócio redondo quase líquido de num sei o que lá; chocolate; sardinha; miojo; 1 gatorade pra cada e 1 suco em pó. Pronto! Alimentação rica e balanceada por 4 dias. Depois vou conversar com um nutricionista pra aprender o básico de alimentação diária.
Nosotros estávamos listos! Tudo pronto!
Embarcamos no microbus e passamos pouco mais de 2h para chegar ao Parque Nacional Torres del Paine (PN TDP). O microbus que tomamos nos deixou na entrada principal do parque, foi o local que pagamos os CH$ 18000,00 pesos chilenos / persona; assinamos um contrato de regras do parque; assistimos um vídeo educativo com relação ao que é o parque e aos incêndios florestais; tiramos algumas dúvidas e escutamos uma pequena palestra dos guarda parques chilenos. Ano passado, esse parque queimou por cerca de 29 dias, afetando muitas hectares da reserva. Depois coloco mais informações desse incêndio.
Mapa do Parque Nacional Torres del Paine (Click aqui)...
Nosso roteiro assim que descemos do parque era o seguinte
1. Dia 01 (10-jan) = Chegar ao Acampamento Torres
2. Dia 02 (11-jan) = Conhecer as Torres del Paine e chegar ao Acampamento Italiano
3. Dia 03 (12-jan) = conhecer o Vale Francês e chegar ao Acampamento Grey
4. Dia 04 (13-jan) = sair do Grey e pegar o catamarã e voltar de bus para Puerto Natales
Muitas das coisas que vamos contar aqui, só será mais facilmente entendida com o acompanhamento do mapa do PN Torres del Paine.
Seguindo...
Todo o caminho de até chegar a entrada do parque é muito incrível. Placas avisando do peligro dos ventos laterais nos fundo dos vales. Podíamos ver as bandeiras todas rasgadas de tanto sofrerem pela severidade da ventania. O motorista andava na mão contrária para não sair da pista. O vento era algo que e preocupava bastante, pois haviam depoimentos na net do quanto ele poderiam ser forte.
Depois do check in do parque, seguimos em outro ônibus para o Hotel Torres, que fica a 7,5km da entrada e pouco antes de sair passa um casal com duas mochilas enormes fazendo este caminho andando. Embarcamos e seguimos. Em alguns minutos estávamos no início da trilha. Com o mapa na mão mochilas meio desorganizadas em plena saída, decidimos fazer um último lanche, dividir nossa água, reorganizar os pesos nas mochilas e depois pé no chão.
Antes mesmo de começar, já podíamos ver a força dos ventos, que vinham em rajadas, em rajadas muito fortes. As arvores envergavam; o som das rajadas já avisava com alguma antecedência de sua chegada; a poeira, o frio, pedaços de casca de árvore e até mesmo algumas pedras acompanhavam-no. Ao mesmo tempo que ficava preocupado, também ficava emocionado; sentir realmente como é uma rajada de vendo em plena patagônia, daquela de filme. É por isso que estou aqui, para conhecer o que está fora da minha rotina, fora das minhas experiências.
Eram 16h, a mochila estava com grande volume e um peso razoável para um início de trilha. Nos primeiro passos, misturavam-se várias sensações e tentava ainda digerir aquela realidade que eu estava vivendo naquele presente.
Tentava aprender a me equilibrar quando vinha uma rajada; tentava descobrir a nacionalidade das várias pessoas que cruzavam por mim no sentido contrário quando elas falavam “Olá!”; olhava pra todos os lados e tentava interpretar as formações geológicas e geográficas daquela região; fauna e flora as vezes muito diferente das nossas; ficava imaginando por quantos pensamentos eu tinha passado, quantas decisões eu tinha tomado para está ali; ficava até mesmo imaginando o que o Carlos estava pensando.
Caminhamos sem parar por algum tempo e depois de 1h de caminhada, o mesmo casal que havíamos visto passar na entrada do parque tinham nos alcançado. Acompanhamos eles por poucos minutos e rapidamente ficamos para trás. Fiquei pensando no outro erro que fiz: deveria ter treinado alguns meses antes de vir pra cá. Aconselho a qualquer uma fazer treinos regulares se quiserem evitar sofrimentos posteriores, principalmente pra quem for fazer treking em qualquer lugar do mundo.
De olá em olá íamos avançando. Foi quando subíamos uma serra para entrar num vale que montei o bastão de caminhada e onde a câmera de filmar GoPro estava montada na parte superior do bastão.
Aqui cabem duas observações. A primeira é sobre o BASTÃO DE CAMINHADA: ele reduz o peso nas pernas colocando um pouco de esforço nos braços; serve sempre como um apoio para a subida e descida nas trilhas, ajudando no equilíbrio de passadas complicadas, ajudando no menor esforço e aumentando a segurança e servindo de apoio para a câmera de filmar e era possível fazer algumas tomadas de nós no primeiro plano e facilmente filmar o fundo. A segunda é sobre a câmera GOPRO HERO2: (Hero3 foi lançada duas semanas depois de eu ter comprado a 2 pelo mesmo preço, ou seja, mais uma tromba) essa câmera tem uma grande angular muito boa, quando estiva o bastão, tinha fotos minha ou junto com o Carlos que pegava toda a paisagem e nós, sem precisar ficar vendo no display ou parando pra montar tripé, ou ainda, esperar pra pedir alguém pra tirar nossas próprias fotos, é uma aquisição muito boa, mesmo sendo um pouco mais salgada; ela ajudou muito no documentário em vídeo de todos os trechos até agora; possui boa resolução de imagem; resistente as intemperes e à água até 80m de profundidade; possui várias funções como exemplo de lapso de tempo e outros.
Continuando...
Em menos de 2 horas, o clima ficou nublado após mais alguns minutos já estávamos na chuva. Esse foi outro fato que já havia lido ou escutei alguém dizendo, “ – Na patagônia ora faz sol, depois chove, depois fica nublado, depois sol denovo ...” vários comentários nesse sentido já tinha confirmado em Ushuaia, mas andar por vários tempos no mesmo dia é algo muito diferente do nosso Brasil são de tempo praticamente tão estável. No entanto, são essas peculiaridades que fazem a patagônia ser um local único também na questão do seu clima formado por sua variedade de tempos.
Seguimos subindo o vale e por muitas vezes íamos beirando o precipício, diminuíamos a passada nas rajadas de vento que as vezes eram suportáveis e eu já estava aprendendo a manter o equilíbrio. Chegamos ao Acampamento(A) Chileno após atravessar uma ponte no fundo do vale, mas só paremos pra decidir que iríamos continuar, já estava ficando escuro e ainda teríamos 2h de caminhada sob a chuva, sem capa de chuva e contando com um caminho com muitas árvores pra atenuar as rajadas de vento de a quantidade de água que iríamos acumular.
Em um final de tarde pegamos vento forte + sol, depois ingressamos em um vale com chuva e vento forte, quando continuamos após o A.Chileno entramos em um floresta no meio da penumbra nublada da chuva que caia fina e fria no vale.
O céu cinza, o vento ecoava por entre as árvores, montanhas ao fundo canalizavam aquele tempo para o sentido da saída do vale. Fico sentindo tudo, passo a passo prosseguíamos. A floreste úmida, com suas árvores cheias de musgo em suas bases, vegetação rasteira entre uma e outra, algumas estavam ao chão servindo de abrigo e habitat para outros vários organismos.
As vezes passávamos por algumas cachoeiras que desciam rapidamente pela montanha e as rajadas sempre fazia questão de arrancar alguns metros de coluna de água da cachoeira e transformar em gotículas e incorporando-as na chuva que caia regularmente. Uma pequena vantagem, é que a chuva não caia em forma de toró, elas eram finas e constantes mesmo não nos molhando muito, as mochilas acumulavam a humidade e consequentemente afetava tudo dentro dela. E ai apareceu outro erro nosso, não tínhamos capa de chuva, a floresta nos protegeu do A.Chileno até o A.Torres, cerca de 2h de caminhada.
Chegamos ao A.Torres já com quase nenhuma visibilidade, pois já eram 21h, estávamos no fundo de um vale e coberto por árvores. Precisamos das lanternas para montar o acampamento. Sem comer quase nada o dia todo, 22h foi a hora que conseguimos comer mais uma vez pão com pasta de queijo, completamos a água em um riacho vindo do derretimento das geleiras e fizemos um suco de manga em pó.
No início da curta noite, a chuva caia sem parar e temperatura ainda estava amena: cerca de 12ºC. Eu com meu isolante devidamente colocado mais a segunda pele e o fleece já dava o conforto que eu precisava naquele momento; já o Borracha, com o saco de dormir direto no chão e todos os agasalhos dele não conseguia evitar o frio. Então cedi meu saco de dormir o que melhorou um pouco pra ele. No meio da noite, a temperatura baixa pra 5ºC e eu tinha mais um casaco e coloquei as luvas e não foi suficiente pra dormir bem, mas pelo menos consegui dar algumas boas cochiladas entre uma acordada e outra.
11-jan-2013, Las 3 Torres del Paine
Amanheceu! Amém! Noite curta e o dia começa a ficar menos frio. O pão com o resto do queijo, comemos e fomos com o equipamento de ataque para as famosas Torres do parque. O caminho inicia com uma subida e podemos desfrutar de belas paisagens. A vegetação vai desaparecendo aos pouco, o solo vai ficando mais raso e as rochas graníticas mais expostas. Continuamos a subir. As nuvens aparecem em lotes, algumas sem chuva e outras com chuva, as rajadas de vento perturbam meus passos, não sei se ando ou se contemplo, então tento fazer os dois. Perto do ‘mirador das torres, uma das nuvens traz uma pequena chuva de granizos. Eu fiquei parecendo uma criança bestificada com aquelas bolinhas de gelo branca caindo, as vezes arranhando meu rosto, batendo nos óculos e é com esses fatos que eu esqueço o cansaço e sinto que todo os esforços estão valendo a pena.
No fim da trilha, as 3 Torres vão surgindo na nossa frente aos poucos e quando checamos ao ‘mirador, a visão é espetacular. É possível ver vários os elementos de uma forma muito harmonica. Imagine 3 Torres (Norte, Média e Sul), sustentadas por uma base mais larga de granito, com um pequeno glacial aos seus pés, esses glaciais derretendo gelo e formando pequenas cachoeiras, essas cachoeiras alimentam um lago verde, esse lago está parte cercado pelas montanhas e parte por várias rochas soltas menores e existe uma pequena passagem pra drenagem do lago formando outro rio. Quando chovia em cima do lago formava ¼ de arco-íris sobre o lago verde, o sol estava iluminando as torres a frente do lago, o vento continuava forte e frio, dificultando toda a circulação no local.
O local é de acesso um pouco restrito, mas é perfeitamente possível chegar. A velocidade não importa. As trilhas são longas mas são prazerosa, sempre há um belo cenário para se lavar a alma e lembrar de respirar fundo.
...
Algumas fotos das Torres e alguns momentos de pura reflexão ‘adelante aquela harmonia escancarada na ‘naturaleza...
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Nos despedimos das Torres e voltamos ao acampamento sob outra chuva de granizo e mais uma vez a sensação de criança diante de algo novo retorna.
...
Acampamento desmontado, seguimos para o A.Los Cuernos. Voltamos o caminho do vale sob chuva e vento até o final dele. Quando saímos, praticamente cessou a chuva e o tempo estava todo aberto. É impressionante como o tempo é tão diferente em tão pouco espaço.
Agora enfrentaríamos algumas horas até chegar ao próximo acampamento. Cruzamos com várias pessoas e até parávamos pra tentar conversar com algumas. Os gringos franceses gostaram da gambiarra que eu fiz com a minha gopro montada no bastão de caminhada e trocamos algumas frases.
Durante grande parte do caminho estávamos numa trilha normalmente plana, estreita com alguns rios a serem atravessados, com um imenso lago verde do nosso lado esquerdo e uma cadeia montanhosa a nossa direita. Um campo de flores nos acompanhou por muito tempo, o cenário era como um conto de fadas, exceto pelo vento.
O vento precisa ser contado à parte. Se no primeiro dia o vento estava muito forte, nessa tarde desse segundo dia ele estava extremamente ‘fuerte, impressionantemente poderoso. Era claramente possível ouvir a sua força antes da rajada chegar, o som chegava primeiro aos nossos ouvidos já avisando pra nos prepararmos, e quando a rajada chegava, era preciso apoiar-se nos joelhos e no cajado, muitas vezes até se ajoelhando para não cair.
Normalmente eu esperava a rajada passar e continuava caminhando com ventos mais fracos até a volta de uma nova lapada de vento frio, seco e cheio de poeira, pedra e resto de mato seco.
Eu andava com luvas, uma mochila gigante, meu cajado com a gopro preso a ele e o óculos. Em uma das rajadas de vento, não consegui me equilibrar e pisei fora da trilha em um buraco, que foi suficiente para eu cair em uma almofada de flores, mas eram flores topadas de espinhos, e as luvas fizeram muito bem o seu trabalho: protegeram-me.
Um pouco mais ‘adelante, outra rajada fez com que eu caísse sentado e vinha com toda aquela poeira muito forte, eu já caído só fiz virar as costas para ventania e proteger o olhos com o braço, pois mesmo com os óculos o vento adentrava por entre as frestas e eu não queria um cisco logo no segundo dia de viagem faltando vários quilômetros até chegar ao próximo acampamento. Até o Borracha, que é menor do que eu e estava com menos volume, em uma das rajadas apoiado com cajado e joelhos fletidos, foi literalmente arrastado pelo vento.
E foi assim até o final do dia (22h). Muito vento, muitas rajadas, muitas quedas e até que fim conseguimos chegar ao acampamento. Montamos a ‘carpa praticamente no meio dos arbustos para tentar proteger do frio que estava por vir e o Borracha alugou um isolante. Então, fomos dormir mais cedo para tentar pegar a melhor temperatura possível e t.er uma maior quantidade de horas dormidas. Por incrível que pareça, foi uma ótima noite.
Nesse dia a missão era chegar no A.Italiano, mas não havia nenhuma condição mais de fazer isso. Estava muito tarde e eu já estava todo detonado e morrendo de fome e os pés muito doloridos. Decidimos seguir ‘adelante no próximo dia.
12-jan-2013, El Valle Francés
Do A.Los Cuernos >>> A. Italiano >>> Vale Francês >>> A. Italiano
Acordamos 7h; higiene pessoal; café ‘caliente com pão, presunto e queijo; conversa com um casal de brasileiro sobre nossas viagem; sobre o surfe e sobre as fotografia; algumas fotos na beira da LAGUNA ESMERALDA, que era bem verdinha, água gelada e várias cadeias de montanha ao fundo; desmontamos o acampamento e seguimos para o A.Italiano.
O caminho até esse acampamento era de 2,5h segundo o mapa, mas durou 3,5h; fazíamos paradas para fazer fotos, escançar os pés, fazer um lanche. A paisagem era espetacular, a LAGUNA ESMERALDA com seu verde, praias de rochas redondas de vários tamanhos, a lforesta nos acompanhava pelo flanco direito e as vezes alguns campos floridos com charco, e ainda, montanhas nevadas ao fundo.
As composições eram infinitas, era possível parar pra fotografar a cada passo, mas decidi fotografar menos e sentir mais aquele clima/tempo único da patagônia. Esse dia foi de sol, continuava ventando, mas não em rajadas fortíssimas, e pra facilitar, as árvores serviam como nos protegiam de alguma forma.
Ai chegar perto do ‘Valle ‘Francés escutamos uma estrondo que também parecia um trovão muito forte. Esperei uma rajada de vendo devastadora, mas o estrondo foi de uma parte do glacial se desprendeu e desceu montanha abaixo. Era possível ver uma cachoeira de neve escorrendo pela encosta da montanha e o som não parava, foi mais uma vivência espetacular.
Chegamos ao A. Italiano; deixamos nossas bagagens ao leo (existiam várias bagagens ao leo); fizemos um almoço: sardinha com pão; seguimos em direção ao fundo do ‘Valle ‘Francés.
O VALLE FRANCÉS...
Subimos e subimos e subimos! Depois das 3,5h até o Italiano, agora era hora de mais 4h para ‘arriba e ‘despois ‘más 4h para ‘abarro. Cada passo é compensado pela vista. Andamos por entre mais florestas com milhares de tonalidades de verde misturado com as texturas cinzas dos troncos das árvore; atravessamos vários pequenos rios que fluía por entre pedras e sempre nos fornecendo água recém descongelada; as montanhas nos cercavam dos dois lados com seus cumes nevados sempre observavam-nos; subíamos o caudaloso e rápido rio Francés e reunia todos os vários pequenos rios ao longo do vale, o som desse rio sempre estava presente, mas no início da entra do vale ele se estreita e forma um verdadeira corredeira ensurdecedora, rápida e furiosa. No final da trilha existe um ‘mirador que é uma rocha gigante que se ergue em meio da floresta, está cercado por árvores, o rio ao fundo e estamos cercados por uma cadeia de montanhas com seus vários picos e uma única saída que se pode ver a LAGUNA ESMERALDA ao fundo.
Voltamos ao A. Italiano quase sem sol, levantamos o acampamento com a metade da barraca em cima de uma estrutura de madeira para aliviar o frio do chão para o Borracha, ainda bem que deu certo e foi outra noite tranquila de sono, com pouca chuva e um pouco de frio ainda, mas muito tranquila.
PASSO 10 .Parque Nacional Torres del Paine-CHI
Por Ewerton Soares
13-jan-2013, Lago e Glacial Grey
Hoje foi o dia de cão ...
A. Italiano > 3,5h > A. Paine Grande > 4h > Glacial Grey > 4h > A. Paine Grande.
Foi um dia de destroçar! Foram quase 12h de caminhada. Chegamos tarde no A. Paine Grande 10:00h e saímos p/ Glacial Grey já eram 12:00h e quando voltamos sob o céu escuro e lanternas na cabeça nos últimos quilômetros.
Do italiano para Paine Grende a paisagem mudou bastante. Eu já havia dito antes que esses parques e reservas patagônicas parecem muito com os cenários do filme O Senhor dos Anéis e pra quem assistiu o filme, existe uma parte da Terra Média que estéril e praticamente incolor: Mordor! Pois é, infelizmente, a paisagem mudou radicalmente de tons de verde para tons de negro. Um imenso incêndio assolou o parque há um ano. Um turista descuidado acabou causando um incêndio de durou cerca de 30 dias. Queimou muitos e muitos hectares do parque. Uma região com ventos fortíssimos alimentando as chamas que tinham milhares de árvores com combustível.
Andamos quilômetros e quilômetros por entre cemitérios de árvores. Já não havia tantos rios, e os que existiam trazia consigo ainda restos de pó preto que se desprendiam das árvores. Sem árvores, as águas da chuva não são drenadas lentamente e facilitando a formação de solos, elas escorrem rapidamente carregando consigo possíveis nutrientes, partículas e dificultando a formação de vegetação. A perda certamente é incalculável. A visão era de partir qualquer coração. Olhar até a linha do horizonte e saber que tudo que é preto hoje era verde.
...
No entanto, era possível ver alguns sinais de esperança. As plantas pioneiras, e alguns arbustos já estavam se desenvolvendo para uma possível povoação de novas populações de árvores. Eles já estão segurando o que restou do solo e facilitará a recomposição da floresta. Algumas árvores estão rebrotando troncos verdes, algumas poucas partes parecem que não foram afetadas. Tudo isso dá um fio de esperança de recuperação, o que é bastante animador.
...
Isso me fez lembrar de uma coisa interessante e que está tão perto de todos nós: a VIDA!
A Vida é algo mais do que espetacular. É como o Einstein disse e provavelmente alguém muito antes dele disse de forma equivalente: “Ou você vive achando que tudo é um milagre, ou que nada é um milagre” (depois vejo como é a frase certinha). Eu prefiro ficar com a mais lógica: TUDO É UM MILAGRE.
A vida sempre dá um jeito de se manter. Moléculas orgânicas possuem funções específicas no meio de uma cadeia imensa de relações e possuem funções extremamente importantes para a manutenção do todo. A vida é algo que sempre está ‘cambiando, mudando, evoluindo. A variabilidade genética tem que ser um milagre, com suas recombinações de genes ao acaso; moléculas que formam células. CÉLULAS! As células possuem uma arquitetura divina, é um micro universo cercado por uma membrana anfipática e que evoluiu incrivelmente na nossa divina história e que quando são agrupadas, podem formar tecidos. TECIDOS, eu amo vocês! Imagine a arquitetura dos ÓRGÃOS e a formação do ORGANISMO.
A VIDA TEM QUE SER UM MILAGRE!
E é nesse milagre em que conseguimos, todos nós, NASCER! Já viver, cada um tem seu modo de ver sua vida, como MILAGRE ou não. E todos nós vamos encarar depois o que sempre vou tentar me condicionar como outro Milagre: a MORTE!
MORTE você também tem que ser um Milagre!
...
Continuando...
Cruzamos as devastadas florestas negras e a visão praticamente não mudou durante o dia inteiro. Ao chegar ao A. Paine Grande, levantamos acampamento, tomei um banho gelado da boba serena. Almoço embalado, pé na estrada.
Seguimos por entre vales inóspitos e estéreis, uma terra aparentemente morta, mas com o passar dos passos, sinais de verde iam aparecendo cada vez mais, voltando ao negro nas queimadas novamente. Caminhada em passos largos no início e em passos curtos nos final. Depois do vale que mais parecia Mordor, tivemos uma bela vista de um lago que espelhava o céu com sua calmaria: Laguna Los Patos. Apesar das placas de ‘fuertes ‘vientos, o tempo estava bom, brisas tranquilas e a laguna refletia a paisagem em suas belas águas negras. Caminhamos vários minutos até passar por todo o lago e entrando novamente em florestas que permutavam árvores vivas com as mortas.
Em um certo momento, depois das várias subidas e descidas, apareceu um imenso lago verde: o LAGO GREY. Mas o lago não estava desacompanhado, existiam alguns gigantescos blocos azuis celestes de gelo. Icebergs que se destacavam ao longe e contrastavam com o verde do lago. Foi a primeira vista daquele famoso azul dos gelos que eu só tinha visto em filmes, mas vendo com meus próprios olhos, mesmo com alguns quilômetros de distância, são muito mais vivos.
Andamos mais alguns quilômetros até chegar ao ‘mirador do imenso Glacial Grey. No fundo da paisagem o glacial parecia pequeno, ‘miravamos de cima de uma grande rocha e várias pessoas compartilhavam da mesma visão. É hora de parar e almoçar nossa sardinha com bolacha. Estava uma delicia. Guardei a lata de sardinha no saco de chuva da mochila, o que me rendeu cheiro de sardinha na mochila inteira por vários dias.
Ainda faltavam algumas horas, mas eu realmente nem queria mais saber quanto faltava, isso tortura qualquer mente normal. Eu andava sem esperar chegar, só apreciando a paisagem, tentando esquecer as dores nos meus queridos pés, procurando sons, cores e escolhendo os milímetros de diferença entre um passo e outro.
Atravessamos mais um rio, mas dessa vez o vale era em “V” bem acentuado, a água corria também violentamente abaixo de nós e a ponte só comportava uma pessoa de cada vez. Passada a ponte, chegamos ao refúgio e acampamento Grey. Passamos direto em direção ao Glacial Grey. E foi ai que a trilha fez uma bifurcação. Quando olhamos o mapa, só havia um caminho e no meio das loucas deduções, passa 1 chileno mais 2 chilenas e nos ajuda a escolher o caminho dizendo que pelo caminho da esquerda era possível ver o Glacial do mesmo nível e bem de perto e o caminho da direita o visual era por cima do glacial. Escolhemos o caminho da esquerda e adiantamos. quando chegamos um pouco mais ‘adelante, a trilha entrava praticamente no meio da mata quase fechada, muito diferente de todas as outras trilhas, então decidimos voltar.
Encontramos novamente o chileno, e ele nos explicou que a trilha era assim mesmo e que pouca gente utilizava esse caminho, então voltamos pro meio do mato quase sem passagem e por entre os arbustos íamos abrindo caminho. Chegamos na beira de um precipício que só existia espaço para uma pessoa e seguimos com todo cuidado para não cair uns 15 metros parando lá em baixo. Vencido essa parte, a próxima era descer outra parede de uns 7 metros, com meio mundo de equipamento, mas também foi tranquilo. Seguimos tentando descobrir por onde era a trilha e às vezes era possível encontrar algumas pedras (uma sobre a outra) indicando um caminho. Seguimos e seguimos até chegar bem próximo do Glacial.
Uma vista fantástica, agora os imensos blocos de gelo se encontravam a alguns metros de distância. E o azul é impossível de ser descrito com palavras ou mesmo com fotografias. Sair de Maceió e encontrar um iceberg desprendido de um glacial com aquelas infinitas tonalidades de azul é algo, com uma brisa fria, alguns estalos, o sol torrando minha pele. O que posso passar aqui é uma vaga lembrança de uma incrível experiência.
Após algumas fotografias, chegam os 3 chilenos. Trocamos algumas palavras e ele seguiram mais ‘adelante. Seguimos seus passos e após transpassar um paredão de granito, chegamos ainda mais perto do glacial, e praticamente em cima de outro iceberg. Os chilenos nos convidaram para comer batatas fritas com whisky red alguma coisa. Só tomei um gole pra não ser mal educado e se tomasse 2 não conseguiria voltar caminhando mais 4 ou 5 horas (eu evitava pensar no caminho de volta).
Após algumas conversas com o chico e as chicas chilenas, começamos a jornada de volta pra o acampamento. Eu continuava tentando não pensar na caminhada de volta. Só tentava pensar no que eu estava vendo ao redor e sentir o máximo possível daquele contexto. Mas quando o limite do corpo chega, não há como escapar, você se pergunta o quanto falta, mas briga consigo mesmo pra não querer saber. O sol está se pondo e ainda não chegou nem perto da metade do caminho de volta. O sofrimento psicológico perdurou por toda a volta, sempre esperando a última curva ou aquele ponto que marcamos na vinda que estava tão próximo.
Anoitece! E com nossas lanternas iluminamos a trilha e seguimos com cautela, a pior parte da trilha ficou pra trás, o que é bom, mas os pés e o resto do corpo exigiam seu descanso. Depois de mais de 4h de caminhada, todo detonado, ainda fui tentar fazer umas fotos com as montanhas e as estrelas. Tentei algumas fotos, no entanto, não consegui mais articular pensamentos nem palavras nem lógica nenhuma. Desarmei o tripé, entrei na barraca e apaguei.
14-jan-2013, Feliz Cumpleaños Ewerton Soares
Parabéns pra você Ewerton Soares. Desmontamos o acampamento, e comemos um bom ‘desayuno no restaurante do refúgio com o ticket que achamos no acampamento. Pão com geleia, suco de laranja, cappuccino, ovo, cereais com leite; uma delícia.
Esperamos o catamarã em frente à baia Pehoe. De águas verdes e geladas. Vontade de dá aquele pulo no lago, mas a preguiça não me deixou continuar pensando nisso. Catamarã chegou, embarcamos e a víamos as montanhas que cercavam o Valle Francés, água verde, só tranquilidade. Em 50 minutos já estávamos em outra parte do parque e tínhamos que esperar 3h até a chegada do ônibus para Puerto Natales.
Enquanto esperava o bus, fui até o ‘mirador Salto Alto, onde era possível ter uma visão muito bela das cadeias de montanhas e um rio fazendo um “S” com águas caudalosas terminando em uma cachoeira bem perto de mim. Uma incrível vista para uma caminhada de somente 1 quilômetro. Fiz algumas fotos, voltei pra cafeteria onde o Borracha ficou e almoçamos 1 ovo cozinhado cada um.
Ingressamos no bus, 2h até Puerto Natales, voltamos pro Hostel (Albergue) W Circuit e o Borracha preparou um jantar com muita carne, muita carne mesmo! Foi o terceiro dia de carne em 14 dias de viagem. Também comemos um macarrão instantâneo, mais um litro de ‘cerveza ‘Quilmes, mais um ‘vino del casillo de diablo. Com uns 2 copos já tava ficando louco. Quase derrubei o vinho em cima do computador de duas alemãs que estavam assistindo uma série e fazendo pizza. Já estava na hora de dormir. Boa noite e ‘feliz ‘cumpleaños!!!.

















PASSO 10 .Torres del Paine-CHI
Por Carlos Oliveira
10-jan-2013, Porto Natalles – W Circuito Torres Del Paine.
A casca grossa começa a ser descascada!
Acordamos cedo, dormimos bem, o hostel era muito aconchegante... Começamos a organizar as coisas, 15:00 hs era a hora marcada para pegar o ônibus que nos levaria para o Park Torres Del Paine, aproximadamente 2 horas de viagem. Entao cambiamos alguns dólares por efetivo chileno, fizemos uma feira para complementar o que havíamos trazido do Brasil para nos alimentarmos durante a trilha, o Leandro alugou uma bota (o tênis dele não era apropriado), alugamos barraca, guardamos os volumes desnecessários no hostel e seguimos so com o que iriamos utilizar nos próximos dias de treeking. Ah, compramos um almoço de empanado de carne e arroz, e fomos comendo no ônibus, vendo a paisagem, e nos enchendo de entusiasmo com o poderíamos ver nos dias pleno contato com a natureza patagônica, (bobos, não imaginávamos que não seria tao fácil), a principio as placas na estrada informava: “trafegar pela esquerda... fortes rajadas de ventos”, meu Deus! Eu lia mais não entendia muito... Ate que chegamos na portaria de acesso ao parque, pagamos as entradas, carimbo em passaporte, pegamos outra condução, agora mais 10 min. para nos deixar onde propriamente seria nossos pes o veiculo de condução “e de equilíbrio também” rapá!! Que vento era aquele, agora entendia o significado das informações da placas na estrada, era impressionante, parecia que eu estava em queda livre (saltando com paraquedas), doidera mermao! Se eu já tava me esforçando para fica estático no chão, ai vcs se perguntam e o Leandro... kkkkkk, bom! Vamos la, arrumamos um lugar pra fazer uma merenda antes de começar a subir, era subir mesmo... ou era subindo em marcha lenta, tomando cuidado com os ventos fortes pra não cair num abismo de ums 300m acredito, ou descendo com a marcha engatada pra em velocidade reduzida e constante forçando as rodilhas “joelhos”, era so o começo! Seguimos... tínhamos que ainda antes do por do sol chegar ao acampamento das torres (ficava na base das torres, 50 min. de subida, e era de grátis), passando pelo acampamento chileno (este era pago), e o percurso foi assim, peso nas costas, subindo e descendo (mais subindo que descendo), rajadas de vento forte e geladas, nos desequilibravam, cheguei a me assustar varias vezes, quando olhava para minha lateral direita e via que um vento forte e um passo em falso seriamos arremessados num precipício letal! Depois de 2,5 hs chegamos ao acampamento chileno, mais não era ali ainda que iriamos acampar, então seguimos por mais 1,5 mais ou menos ate chegar no acampamentos das torres, já era 21:40 e o sol já tinha dado lugar noite! Estavamos super cansados, então montamos rápido a barraca, comemos dentro dela mesmo e dormimos... Não, não dormimos bem, eu tive a capacidade de não trazer um isolante térmico, o chão estava congelante, a barraca estava congelante, meu saco de dormir estava congelante... Que droga! Era vento, ate chuva rolou! Tivemos febre pelo esforço físico, meu corpo estava debilitado. Que noite!! Superamos... e ai vem mais...
11-jan-2013, Torres Del Paine – Acampamento Los Cuernos.
Por: Carlos Oliveira
Média de 20km neste dia.
“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que ficou... mais tenho muito tempo!” Acordar depois de uma noite mal dormida dentro de uma barraca com um odor forte de rego sujo misturado com chulé, e ainda ter animo para subir 1 hora mais e ver as torres, sim foi o que fizemos, eramos movidos por uma energia sobrenatural. Colocamos as coisas dentro da barraca e subimos so com equipamentos de ataque, subimos em passos lentos e determinados, e a natureza nos recebia com a mais bela de sua vestes (era um lindo dia sem nuvens no céu, um verdadeiro espetáculo), e que beleza tinha aquelas formações rochosas, o frio não nos fazia desistir de ficar mais um pouco contemplando aquilo tudo, Deus tinha preparado para gente, simples mortais, houve um momento em que sentir um vitorioso da minha força de vontade, não era para muitos estar ali. Registros fotográficos e mentais feitos, começamos descer... E quando menos esperávamos!!! Neve, granizo, cara me impressionei... Nordestino das Alagoas sendo bombardeado por cristais de agua vindo do céu! Me emocionei ao mentalizar minha trajetória ate ali, não era fácil não, quem foi que disse que seria¿ Mais então, vamos lá Leandro, temos muito que andar ainda ate o próximo camping. Seguimos... Fizemos o caminho de volta passando pelo acampamento Los Chilenos, e depois um desvio nos levaria paro Los Coernos, mais não pesem que seria simples assim, tivemos horas e horas, de ventos fortes, (Leandro levou uma rasteira literalmente por uma das rajadas, impressionante), paramos para comer em um cenário de filme, com um bosque ao nosso redor, cavalos, lago na nossa frente e aos fundos picos nevados. Estava dolorido, mais era apenas o segundo dia...o guerreiro não desiste, a ordem é marchar! A intenção era passar do Los Coernos e acampar nos Italianos pra evitar gasto, (no Italiano o camping era de grátis), mais o tempo era nosso principal adversário e não nos deixou continuar, era perto de 20:30 e não daria para chegar nos Italianos antes do sol se por, então nos apreçamos em montar a barraca ali mesmo nos Los Coernos, já era muito fácil de ver em minha face o reflexo de dor e sofrimento daquele dia mais o acumulo do dia anterior, o chão gela do me desanimava pra colocar meu corpo sobre um simples saco de dormir sem isolante, eu iria congelar! O Leandro achava que se a gente montasse logo a barraca e colocasse tudo dentro dela para tirar o flagrante não nos seria cobrado a pernoite do camping (sempre querendo economizar), kkkkkk... o guarda park foi mais esperto! Quando a gente terminou tudo, montou a barraca e se entocou dentro, não iriamos nem sair mais, ai o guarda bate na tenda da barraca: amigos, tens ticket¿ Planos por agua abaixo em Leandro! Mais pelo menos me deu a ideia de alugar um isolante para aquela noite, estávamos com febre outra vez, tomamos paracetamol e fomos dormir!
12-jan-2013, Torres Del Paine – Acampamento Italianos.
A intenção era chegar no Grey hoje.
Por: Carlos Oliveira
Continuando o treeking...
Acordamos cedo, nem tem como ficar dormindo ate tarde, não é hotel! Fomos a uma cabana bem estruturada que funcionava como apoio administrativo do camping, restaurante, banheiros, era bem organizado lá. Fui tentar esquentar uma água pra gente tomar café, daí encontramos um casal de brasileiros, da Bahia, da praia do forte... o cara era surfista! Conversamos horas, o cara falava das viagens dele pela indonésia, galápagos, a conversa me enchia de bons ânimos para as próximas horas de caminhada, depois o Leandro chegou do banho e entrou na conversa também, é coisa boa é falar a mesma língua! Fui tomar banho, caliente... que revigorada!! O casal se despediu da gente e segui pelo percurso inverso ao da gente, e Leandro entrou mais uma vez no restaurante para ver se conseguia agua quente pra gente tomar café, MEU IRMÃO! Eu nem acreditei quando ele chegou com duas xicaras de café, ummmmmm que delicia era aquele café, desde do Brasil que não sentia gosto de café. Coisa boa!!! Comemos, depois tiramos algumas fotos pelos arredores e seguimos, tínhamos conversado demais, já era perto de 11:00 da manha, que atraso! A cada passo em direção ao acampamento Italianos podíamos perceber o quanto a gente iria se f... se tivéssemos prosseguido na noite anterior, era longe, e cheio de obstáculo, perto de 15:30 chegamos nos Italianos, deixamos as coisas e subimos para ver o Vale Frances, que subida longa... e saber que o que se sobe depois se descer, me doloria mais. A sinfonia dos blocos de gelo se desprendendo me deixava ancioso pra ver de mais perto! Chegamos ao final da trilha, eramos os últimos, e fomos os últimos a descer também, tivemos que passar a noite no Italiano, o que me preocupava era o chão frio, avistei umas madeiras num deposito que tinha la, mais o Leandro disse que era alteração pegar sem pedir! Conseguimos montar a barraca em uma metade sobre a madeira e outra no chão, como o Leandro estava com o isolante dele, não teve problema! Dormimos tranquilos!
13-jan-2013, Acampamento Paine Grande.
Esse seria o pior dia, sair do Acampamento Italianos, andar um bucado ate o Paine Grande, montar a barraca, deixar as coisa dentro da barraca e seguir por 4 horas indo e mais 4 voltando ate o Grey.
Por: Carlos Oliveira
Meu psicológico só estava programado para aquele dia... tudo em mim doía, a minha meia úmida de suor, meu ombro que já não aguentava mais o penso sobre eles, mesmo assim levantamos acampamento no Italiano e seguimos... Caminhamos, caminhamos, paramos um pouco pra comer como ums bichos, no meio da trilha! Nossa refeição era leve, não por que estávamos de regime, mais pelo desconforto de ter que levar o peso, então comíamos pão biscoito, sardinha... Depois de quase 3 hs de caminhada chegamos no Acampamento Paine Grande, eram quase 10:20 hs, arrumamos um lugar montamos a barraca, um gramado massa... depois de tudo certinho, o cara vem e diz, amigos não podem montar a barraca nesse local, estar reservado... me deu uma raiva, que espécie de camping é esse que monopoliza os locais de montar as barracas¿ Sem discutir levamos nossas coisas para outro local, fui tomar banho, me surpreendi, a agua era absolutamente gelada, a hora de água caliente era de 8:00 da manha as 10:00hs, mesmo assim eu guerreiro todo, encarei! O Leandro disse se tu tomou eu tomo também! Nos apressamos, era 12:00hs pegamos a bagagem de ataque e fomos em busca do Glaciar Grey, depois de 1 hora de caminhada lembrei que tinha esquecido minha inseparável Gopro dentro da barraca, não quis demonstrar muita preocupação para o Leandro, mais fiquei muito triste, queria voltar para pegar, mais tinha condição nenhuma de fazer isso, voltar 1 hora de caminha era atrasar em duas o treeking, e olhe que esse seria o pior dia e foi! Segui assim mesmo preocupado com a minha Gopro se estaria me esperando quando eu voltasse! Depois de algum tempo de subida, avistamos um lago e altos blocos de gelo, coisa de cinema... Pega maquina tira foto, vai, vai, vai...! Vai que derrete, kkkkk! Calma, são efeitos de uma mente cansada! Seguimos a passos curtos, depois de mais algumas horas ou muitas horas, tivemos a primeira visão incrível do Glaciar Grey de frente, ficamos algum tempo mirando, mirando, aproveitamos para comer ali. Depois o sentido era um declive de mais de 3 horas ate chegar no glacial propriamente dito, já sabem... pra toda descida tem uma...¿ Uma o que¿ Todos juntos, vamos... SUBIDAAAAA!!! Na volta.
Valeu a pena “os meus pés que me levam pelo mundo” me levarem até aquele lugar FANTÁSTICO, era incansável olhar aqueles blocos de gelo. Nos fez esquecer por um instante que tinha a volta ainda!
19:00 hs saímos, fazendo agora o caminho de volta, lembram da descida¿ hehehehehehe, agora era uma subida, e pensem na subida, e o Leandro de instante em instante me enchia o saco com a conversa: Burracha, são os últimos passos! São os últimos!
Depois de varias horas doloridas de caminha e já depois do por do sol, 22:45 chegamos com o auxilio de nossas lanternas chegamos ao Acampamento Paine Grande, que bom a barraca já esta montada! Fomos dormir, chegava ao fim depois de 4 noites aquele treeking insano na Patagônia No outro dia de manha pegaríamos um catamarã de volta ao local que pegariamos um ônibus de volta a cidade de Porto Natalles. Amem!

















15-jan-2013 – Glacial de Perito Moreno e Big Ice.
Por: Carlos Oliveira
Partida de Puerto Natales; Chegada em El Calafate, Comprou Big Ice, Procurando um Hostel, Primeira noite em El Calafate.
Acordamos, ajeitamos as coisas, pagamos o hostel, e seguimos de ônibus para El Calafate, eram 5 horas de viagem, super tranquila a viagem, só os incômodos de carimbar passaporte saindo do Chile e entrando na Argentina (mais já estou me acostumando), assim que chegamos em Calafate, fomos direto pra agencia comprar o Big Ice, tudo certo no dia ceguinte faríamos o treeking sobre o grande bloco de gelo de Perito Moreno, depois o desavio era encontrar um hostel, tava tudo lotado, a cidade é muito turística... Por sorte encontramos um, e pensem num hostel irado! Espetacular! Deixamos os equipos e agora tínhamos que procurar mais uma vez uma bota para o Leandro alugar (detalhe: ele tem uma Vasque pank em casa), conseguimos. Passamos no supermercado e voltamos para o hostel. Que ansiedade para o Big Ice! Fomos dormir...
16-jan-2013 – Glacial de Perito Moreno e Big Ice.
Por: Carlos Oliveira
Bom, acordamos muito cedo, arrumamos as coisas, tomamos café e ficamos esperando o ônibus da agencia que nos levaria para executar o treeking mais alucinante de nossas vidas até então... As 7:30 o ônibus chegou, fazia muito frio, mais estávamos com roupas apropriadas, primeiro o passeio nos levaria para o mirador que nos deixava de frente para imensidão de gelo “e que visão!, e que vento congelante vinha em nossa direção!”, nada disso tirava a empolgação da gente, é muito gratificante sentir tamanha imponência da natureza... Ficamos uma hora cronometrada ali, admirando o glacial de vários ângulos, tirando fotos “eternizando cada momento em frente ao glacial de PERITO MORENO!” Espetáculo!!... o melhor ainda estava por vir...
Então seguimos mais uma vez de ônibus a um porto onde pegamos um catamarã que levou-nos ao lado esquerdo do glacial, onde começamos a subir por uma trilha de aproximados 45 min. até checar a um local estratégico para colocar os “grampones” (uma espécie acessórios para colocar sob nossas botas, para caminhar com segurança sobre o gelo), era muita adrenalina circulando em minha corrente sanguínea, eitha nordestino cabra da peste! O cara anda, o cara corre, o pular, (e salta também), o cara surfa... o cara conhece a agua em estado liquido, surfando... em estado gasoso, saltando de paraquedas... e agora em estado solido, andando sobre o Big Ice... É bom sonhar¿¿ Bom mesmo é executar cada sonho! A minha realidade hoje é estar escutando o som dos grampones serem encravados sobre a superfície de gelo... Que delicia! Foi assim por mais ou menos 3,5 hs sobre o glacial... nosso guia dava explicação a cerca do risco de alguns pontos, onde a negligencia poderia ser fatal, e o cara era muito resenha, brincava conosco o tempo todo, me chamava de mineiro, por causa da goopro na cabeça (parecia uma lanterna, kkkkk...), nossa! Era linda as formações, e em meio ao treeking para um momento para fazer um lanche... Agora era a hora de brindar com vinho aquele momento em cima do bloco de gelo gigante de 30km x 5km x 60 m (CxLxH), aproximados... após o lanche, voltamos a caminhar até chegar em um lago em cima do glacial, que belo! Ai o Leandro não tirava o dedo do click da câmera, registrava tudo! Muito bem, voltamos felizes e muito satisfeito, mais o nosso guia disse que por ter gostado da gente nos faria uma surpresa... E fez! Nos colocou de frente para o glacial, só que agora na parte baixa, vendo toda aquela altura do bloco de gelo nos ameaçar, era! Esta é a época grandes placas de gelo se desprendem por ação da temperatura e aquecimento global, FANTÁSTICO! O silencio era quebrado pelo barulho dos blocos de gelo se desprendendo! Passamos ali alguns instantes em seguida voltamos para o porto onde pegamos o catamarã de volta. Eu me sinto simplesmente um cara abençoado, 360 graus é o que a vida tem proporcionado para mim, através do amor e misericórdia do Senhor meu Deus! Não tem sido fácil, mais tem sido muito gratificante tudo isso! Amém galera, gostaria que para cada pessoa que tenha o interesse e oportunidade de ler estes relatos aqui fazemos, sintam-se energizados a transformar cada cm de sonho em realidade na vida de cada um, SOMENTE CREIA!
Esse dia super puxado tinha que terminar da melhor forma, então chegamos ao hostel tomamos banho e saímos para jatar em um restaurante, o cardápio era Parrila (churrasco) de Cordeiro... Com muita fome entramos no restaurante, e antes de sentar... TREMEU TUDO, MEU IRMÃO O QUE É ISSO LEANDRO¿ SEI NÃO BURRACHA! SEGURA AI VENHO, TÁ TUDO BALANÇANDO! TODOS ESTAVAM ASSUSTADOS... Ao garçom: O que estar acontecendo¿ É um sísmico muthachu! Sismico¿ Terremoto¿ Uhuuuuuu, Leandro! Estamos no Chile!!! Normal!!! Uhuuuuuu!!!! Que massa! Passou... mais deu um pouco de medo, num vou mentir! Rsrsrsrrssrsrsrrs, vamos comer! Comemos muito, eê terremotosinho pra abrir o apetite! Depois voltamos para o hostel e fomos dormir, no dia seguinte iriamos para El Chalten. Buenas noites!










17-jan-2013 - Buscando mais...
Por Ewerton Soares
Acordamos cedo e saímos para El Chaltén. Mais algumas horas de viagem até chegar ao destino. Nos últimos quilômetros já era possível ver muitos picos que iríamos tentar chegar bem próximo nos próximos 3 dias.
Como nunca reservamos nenhuma estadia em hostel, eu já chegava com dedos cruzados e perguntava se havia habitação pra 2 pessoas. Na grande maioria das vezes sempre existia algum lugar disponível. Ficamos no Hostel Rancho Grande.
Alojados, pegamos algumas informações e seguimos direto pra o Tracking de 12km até a Laguna Torre, já eram 4h da tarde. Em passos rápidos seguimos e uma paisagem incrível sempre nos acompanhando. Na ida fui um pouco na frente, pra tentar chegar com o máximo de luz até o lago. A trilha em algumas partes era muito parecida com Torres del Paine.
Nem queria pensar nos 12km antes de chegar no lago. Ficava observando todos os detalhes enquanto eu me aproximava do Cerro Torre, que acompanhou por muito tempo durante a trilha.
Nos últimos metros, quando estava subindo a última ladeira de pedregulho, as montanhas com seu glacial surgem e por último um belo e gigante lago verde. Não estava na luz ideal para as fotografias, pois o sol já se direcionava para o fundo das torres, deixando ela no contra luz. Mesmo assim a paisagem era magnífica. Fiquei sentado alguns minutos contemplando antes de começar a fotografar.
O Carlos chegou e sacou da mochila algumas barrinhas de doce e dividiu comigo. Por que eu nunca lembro de levar comida¿ depois de quase 4h de caminhada parece razoável ter algo pra comer na mochila. Enquanto o Carlos apagou e começou a dormir em cima dos pedregulhos, deixei a Gopro fazendo um time lapse, se ficar bom depois eu publico.
Depois de 1h lá filosofando comigo mesmo. Acordei o Borracha e perguntei se ele iria continuar a trilha até ficar em frente do glacial, ou seja, mais 1h de caminhada a ir e mais 1h pra volta pro mesmo local. O Borracha voltou e eu segui pra cima em direção do mirador. Chegando lá, a visão do lago ao fundo, com toda a linha do glacial marcada bem na minha frente. Uma ladeira íngreme de pedregulho com alguns trechos de precipício, mas nada muito perigoso.
Depois de encontrar um riacho e pegar 1,5L de água começou a jornada de 5h de caminhada de volta. O sol já estava completamente escondido atrás das montanhas. Guardei o equipamento fotográfico e a volta também foi acelerada. Procurava esquecer a quantidade de horas de regresso. A noite ia crescendo vagarosamente. O céu começou a passar por todos os coloridos do final de tarde até cair no seu azul escuro. A lua crescente acompanhava o entardecer e tive que parar para observa as montanhas delimitando aquele céu azul e a lua prata. Fiz algumas fotos e continuei a trilha com lanterna, pois a visibilidade já estava comprometida. Cheguei ao hostel muito tarde, só deu tempo de comer e dormir. Não sabia eu que o dia de amanhã seria além dos limites.
18-jan-2013 – De certeza, um dos lugares mais belos do planeta: Laguna de Los Tres, Chaltén - Argentina
Bom dia! O ‘desayuno de sempre: pão com alguma coisa. Equipamento pronto. Algumas fatias de pão, bolachas e água, prontos! Mapa na mão, pronto! Mais 5h de caminhada pra chegar e mais 5h pra voltar, psicológico abalado!
Começamos com passos curtos e tranquilos, porque agora saímos, 8h da manhã, muito mais cedo do que o dia anterior. Saímos da cidade com calma, entramos na trilha e já começou a subida até chegar a um belo mirante, lugar de onde era possível ver alguns rios se unido, meadros, e uma vasta visão naquele lugar tão montanhoso. Seguimos por entre as árvores, depois campos, depois rochedos, voltavam às árvores, era uma constante mudança.
E assim chegamos ao Lago Capri. Um belo lago com águas rasas e um pouco menos geladas que o normal. Águas verdes na bordar do lago e azul escura mais afastada da orla. Fizemos algumas fotos, uma pequena pausa para o lanche e antes de sairmos de lá, uma menina lá entrou na água gelada e começou a nadar até uma ilha que ficava uns 160m de distância. E ela chegou, ficou lá um tempo e não vimos se ela voltou (mas voltou).
Ainda faltavam mais de 2h até a chegada na Laguna de Los Tres. Mais uma vez, paisagens parecidas e ao mesmo tempo diferentes. Alguns pântanos e pequenos lagos entravam no caminho, várias moscas, parecida com as mutucas aqui no Brasil, esperavam um vacilo pra ferroar algumas parte exposta do corpo. O senhor Fitz Roy sempre mostrava seu cume com 3405m de acima do nível do mar.
Foram dias de sorte. Muitas pessoas falando que o tempo está incrível, faz anos desde a última vez que se passaram tantos dias com céu tão azul. E era nesse céu que as passadas iam se aproximando do Fitz Roy e da Laguna de los Tres. Ao chegar no pé de uma subida de muitos metros paramos pra fazer o lanche e beber água.
Iniciou a última parte da trilha: a subida para o lago. Muitos degraus, muito sol, pouco vento, muitas pessoas subindo e descendo, muitas ‘rocas e o visual atrás ficando diminuto e amplo. Quase 1h de subida e em alguns trechos com ângulo maior que 45º. Passo a passo eu me aproximava do topo, até que nos últimos passos...
Desacelerei até parar. Certamente é um dos lugares naturais montanhosos mais belos da face da terra sem nem precisar conhecer todos. Um imenso buraco que possuía um lago azul com várias tonalidades e uma parte verde que escorria em sua lateral para um lugar onde ainda não era possível enxergar. Suas águas azul gélidas também eram alimentadas por um glacial e algumas partes de gelo que iam descongelando pouco a pouco. Acima do glacial, erguia-se uma saliência marcante, o Fitz Roy, acompanhado por outros picos um pouco menores. Mais uma obra magnificamente bem organizada dos milhares de anos de transformações.
Se um dia você for para El Chaltén na Argentina, não deixe de ir à Laguna de Los Tres, é sem palavras, é incrivelmente belo, é majestoso. Aquela brisa fraca e gelada, o sol incidia sobre o lago perpendicularmente, deixando a água incrivelmente azul.
Foi ai que senti falta do meu óculos polarizado que perdi no Ushuaia. Quando eu colocava o filtro polarizador no olho e girava-o até os raios solares ficarem polarizados, não havia mais reflexos nem na água, nem nas rochas, nem no gelo, nem no céu. Nem as palavras, nem fotografia pode explicar aquilo. Andar 3h por entre florestas, pântanos e bosques; subir 1h a encosta pedregosa de uma velha montanha; o cansaço, o suor, passo a passo, você escuta sua respiração. Os últimos passos a respiração cessa; e quando você enxerga toda aquela composição misturando com tudo que eu era ou sou. A respiração volta profundamente e contemplar tamanha beleza, não há possibilidade de não se surpreender.
Circulamos lá por umas 3 ou 4h. Fotografias, vídeos e olhares. A água brotava diretamente do gelo derretido pelo sol forte. Não fazia frio, não existiam ventos fortes, não existiam nuvens. E depois de muito caminhar ao entorno do lago, o Carlos inventa de pular dentro do lago com águas quase a zero grau, pois ainda existiam alguns pedaços de gelo visíveis dentro do lago. E ele pulou primeiro. Como ele estava com a câmera na testa e o pulo foi de cabeça, a câmera escorregou e bateu no pau da venta e o sangue começou a jorrar, mas logo parou após algumas compressões. Claro que agora era minha vez de pular. Também molhei as mãos e a cabeça antes do pulo, para tentar evitar um choque térmico, e pulei também no lago praticamente congelado. Pulei com os braços abertos para não afundar muito, apesar de ser um salto de uma pequena altura. Quando voltei até a superfície, nadei rapidamente até as rochas e sai daquela água sem igual. Borracha fez mais um pulo e eu outro, e mais outro pulo e eu outro. Pronto! Os pés estavam doloridos e insensíveis. Mas certamente valeu o pulo.
Em uma das laterais do lago, havia uma cachoeira de vários metros. Não era nem possível enxergar a base dela, mas procurando uma visão melhor, era possível ver um outro lago gigantesco, muito abaixo do nível do Lago de Los Tres, um lago verde e várias cachoeiras, também vindas do derretimento das geleiras acima, alimentava-o. O precipício ali em várias partes 90º.
E após algumas horas caminhando pra lá e pra cá, é hora de voltar. O Borracha já estava com os calos dos pés estourados e decidiu adiantar com mais velocidade e sentir menos tempo de dor; eu voltei com calma e tranquilidade e fiquei distante dele. Passei mais de 1h só pra descer aquela subida de algumas horas atrás, não queria cair ou machucar o joelho, seria mil vezes pior sair dali se ocorresse algum acidente. Ao final da encosta, após caminhar alguns metros e atravessar um rio, existia uma bifurcação muito bem sinalizada. Lado direto, caminho que cheguei ao lago, e o lado esquerdo que dava pro lado contrário da cidade onde estava alojado. E foi ai que começou uma pequena história com vários quilômetros de distância.
Existia uma bela árvore no caminho. Daquelas de filme, que todo o contorno dela pode ser visto no céu, ou ainda acompanhado com as montanhas, em pleno final de tarde. Não queria desperdiçar esta chance tentar fotografar. Passei uns 20 minutos observando e fotografando. E quanto terminei, estava tão feliz que voltei pra trilha e continuei caminhando só lembrando de uma ótima foto que sempre quis fazer.
Entretanto, a árvore estava um pouco mais pra esquerda da bifurcação e eu teria que seguir o caminho da direita. Ai, quando voltei pra trilha, voltei no caminho contrário de onde teria que seguir e fui caminhando sem preocupação, sem perceber que todo o caminho estava diferente do caminho que tinha chegado, mas falava pra mim mesmo que não lembrava ao certo do caminho e sempre continuando. Fiz umas 5 fotos no caminho e quando já estava começando a escurecer, decidi guardar o equipamento e seguir correndo nas partes planas e andando nas subidas e descidas.
Com o equipamento guardado comecei a correr. Pensei. – Agora chego onde o Borracha estava, mas eu infelizmente corria pro lado contrário. Corri por uns 30 minutos e começava a questionar porque não tinha identificado um só lugar que recordasse. Então pensei, só vou parar de correr quando ver alguma sinalização ou ter alguém pra perguntar. Outra decisão errada. Corri que só a gota e não apareceu nenhum dos dois, mas depois de muito tempo encontrei uma placa que mostrava onde estava no parque. Peguei meu mapa que estava no bolso (porque não olhei pra ele antes¿ - Não sei.) e vi que tinha desviado para o caminho contrário e já estava 10km de distância da bifurcação.
Confirmei no mapa a distância que ainda faltava: cerca de 23km até El Chaltén. A adrenalina assumiu, pois 23km é uma distância muito considerável, e já tinha caminhado durante todo o dia e existia alguns agravantes: eu já estava todo detonado, sem comida, com pouca água e já iniciando o processo de escurecimento. Espirei fundo algumas vezes enquanto fazia um último alongamento nas coxas, pernas, pés, dorso, braços e pescoço.
Começo o caminho de retorno até reencontrar o local do erro. Foi uma corrida adrenalizante, corria sempre apoiando no bastão de caminhada e lembrado da perseguição que o Aragorn, o Gilim e o Legolas fizerem em busca do Mary e do Pinpin no filme As Duas Torres do Senhor dos Anéis. Após vários minutos, já próximo ao ponto que me perdi, encontrei um casal que me confirmou o caminho para El Chalten. Agora mais feliz, mais corrida.
Após mais de 1h, chego novamente a bifurcação que havia me perdido. Estava lá a bendita árvore. Descansei um pouco e retirei todo o material fotográfico pra fazer outra foto recordação dessa árvore. Amo árvores e essa é uma boa história de recordação de uma boa experiência, apesar de ter sido muito dolorosa.
Voltei ao caminho correto agora, mas a luminosidade já estava bastante reduzida e eu muito cansado. Sabia que um pouco mais ‘adelante haveria fonte de água. Segui andando em passos rápido e pensava sobre a minha demora e o que o Borracha estava pensando. Eu já sabia que iria chegar depois dele, tanto por andar mais devagar na volta, quanto por causa das eventuais fotos que faria no decorrer da volta, mas não seria um tempo tão longo um do outro. E agora já começava a pensar que ele realmente ficaria preocupado, mas iria esperar um pouco mais antes de tentar fazer alguma coisa e caso ele voltasse, eu já estava na trilha e certamente iria encontra-lo.
Nesta altura da noite eu já não corria, era muito fácil machucar-se com algum passo em falso, ainda faltava 3h de caminhada. Liguei a lanterna na luz vermelha pra não perder a visão noturna. Reabasteci a água e coloquei o resto de suco em pó. Continuei passo a passo por mais muito tempo e fiquei lembrando o Borracha falando do limite que podemos chegar. Ainda dava pra sentir a adrenalina no corpo, mas já não aliviava as dores nas pernas e nos pés. O corpo estava economizando toda água possível, pois a urina já estava muito concentrada.
E ai vem à noite. Procurava ver se faltava pouco ou muito e ainda faltava 1,5h de caminhada. Aos poucos ia diminuindo o ritmo até chegar a uma parte de só descida. Lembro que cai algumas vezes, mesmo tendo muito cuidado, não era possível ver a profundidade do desnível, mesmo com a luz branca da lanterna, os passos levantava uma poeira cinza muito fina e o vento sobrava pra frente dos passos, tornando quase invisível até mesmo meus pés. No entanto com muito cuidado e sempre apoiado no bastão, fui seguindo e seguindo. Ainda faltava uns 50 minutos quando comecei a avistar as primeira luzes da cidade. Já fiquei um pouco mais tranquilo.
Quando desci os últimos degraus e sai da trilha, a tranquilidade veio à tona, o cansaço tomou conta do meu corpo, mas não do meu espírito. Já era cerca de 00:00h. Comprei dois salgadinhos de carne e um litro de ‘jugo de ‘naranja e continuei o caminho para o hostel. Chegando lá, o Borracha com os olhos arregalados esperava-me na porta e perguntou o que tinha acontecido.
Expliquei rapidamente parte da história e esperava que se houvesse algo mais sério e eu não chegasse provavelmente ele voltaria pra me procurar. Eu estava com um casaco caso precisasse em caso de chuva ou frio e como a noite era relativamente curta, certamente não iria morrer de frio em uma noite só. Mas tudo de certo.
Tomei meu banho ‘caliente e sono...
19-jan-2013 – Juntando os cacos
Por Ewerton Soares
Não tinha a menor condição de caminhar nesse dia e muito menos fazer o roteiro do último dia planejado em El Chaltén. Então, desocupamos a habitação e ficamos no espaço do hostel até 16h, que era a hora do bus para voltarmos para El Calafate. Fizemos o nosso ‘desayuno e dividimos um bife do almoço juntamente com meio prato de ‘papas fritas que uma galera não quis mais comer.
Votamos pra El Calafate; compramos comida novamente, cozinhamos no hostel, ou melhor, o Borracha cozinhou e eu lavei os pratos; comer, comer e sono. Pelo menos eu fui dormir, o Borracha esta com insônia neste dia.
20-jan-2013 – Um dia tranquilo...
Por Ewerton Soares
Hoje o dia foi mais que tranquilo. Saímos para Puerto Natales novamente e depois de todos aqueles trâmites entre fronteiras e carimbos, às vezes claros, às vezes encharcados. Chegamos a Puerto Natales e descansamos o dia todo novamente.
21-jan-2013 – Outro dia tranquilo...
Por Ewerton Soares
Este dia foi muito tranquilo também. Tocamos “alguns” reais em pesos chilenos para pagar o navio que ira levar-nos de Puerto Natales até Puerto Montt pelos fiordes patagônicos argentinos entremeados por águas do Oceano Pacífico. Fizemos o check in pela tarde, mas o embarque já seria feito só à noite. Agradecemos o acolhimento lá no hostel W Circuit (http://www.wcircuithostel.com) e até a próxima.
Chegando no brief de embarque e algumas regras e informações gerais em espanhol e inglês. Seguimos todos de uma só vez para entrada o embarque. Eram 4 andares de carca, 2 de passageiros e um convés razoável. Existiam algumas classes: AAA, AA, A, BB, B, CC e C. Em qual ficamos¿ Na ‘C’ é claro!
Já embarcados, o navio iria passar o resto da noite fazendo o carregamento de muitos carros e caminhões nos seus vários pavimentos e só iriamos sair pela manhã. Boa noite e até amanhã!
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